Os desafios de preservar seus ritos, costumes e cultura em meio a agitação de uma grande cidade não intimidam a luta dos índios que escolheram esta terra para viver
Em 19 de abril, aprendemos quando crianças na escola que era o dia do calendário destinado a relembrar e falar dos índios. Mas, você sabia que em Guarulhos, nos dias de hoje, há pelo menos 16 etnias indígenas cheias de particularidades?
Wassu-Cocal, Tupi, Kaimbé, Fulni-ô, Pankararé, Pankararu e Pataxó, Xucuru, Guajajara, Xavante, Geripanko, Terena, Guarani, Tupinambá, Kariri-Chocó e Truká. São só os povos catalogados pela Secretaria de Igualdade Racial no município.
Até o começo deste ano, muita gente na cidade desconhecia a existência da Aldeia Filhos da Terra, localizada no Cabuçu, onde vivem pelos menos 25 famílias de nove etnias. Entretanto, a agente de saúde, Vanuza Kaimbé visibilizou a forte presença indígena em Guarulhos.
Ela foi a primeira imunizada com a Coronavac, vacina da Covid-19, além dela, há dezenas de nativos inseridos no contexto urbano. Ou seja, é muito provável que alguém que more no seu bairro, estude na sua escola ou trabalhe com você seja indígena.
E fuja dos estereótipos porque nem todo indígena tem “cara de índio”, “jeito de índio”. Pelo contrário, temos indígenas de olhos e pele clara. Assim como também, indígenas de pele negra e cabelos crespos, homens, mulheres e crianças com representatividade.
É nesta data em que relembramos os primeiros povos nativos que habitaram nosso país e também a cidade de Guarulhos, cujo nome é uma homenagens aos “Guarus” ou Maromomis, habitantes da cidade há mais de 500 anos atrás, antes da colonização.
Mensagem de igualdade e respeito
“As pessoas não entendem que a gente sai das nossas aldeias para buscar o melhor para gente e para nossas famílias. Mas ainda falta políticas públicas destinadas ao nosso povo é uma luta diária, nós enfrentamos preconceito e discriminação todos os dias”.
Mesmo assim, Awaratan Wassu Cocal, destacou se considerar apenas um indígena, para ele não tem barreira, já que mesmo em contexto urbano, somos de um mesmo país e não há fronteiras que devam nos separar. “Esta também é minha terra, o Brasil é nosso, é uma terra indígena, independe de onde eu esteja,” apontou.
“Nós temos indígenas que viveram em Guarulhos, o nome da cidade tem essa origem, mas a gente ainda ter quer ficar mostrando para as pessoas que temos indígenas aqui. A cidade precisa ter mais espaços, nós temos que ser prioritários, é preciso rever as políticas públicas que foram perdidas ao longo do caminho,” finalizou.
“É sempre importante que a gente fale, se apresente, porque é um desafio diário, nós temos nossa forma de viver. É como se a gente tivesse que preservar o que já está destruído”, desabafa Alex Wera Kaimbé, em uma referência a devastação social.
“Uma aventura, um susto temático ao abrir a janela”, define Wera. “Existe uma pressão, a opressão, mesmo sem querer, as pessoas questionam nosso pertencimento nossa ancestralidade, nós não estamos aqui há 500 anos, estamos há muito tempo antes, estamos como indígenas, negros e originários desta terra, as Américas são indígenas”.
Aldeia Indígena no Cabuçu
Um incêndio atingiu a Aldeia no último dia 04 de abril e o fogo consumiu três ocas destinadas a práticas ancestrais e ritos espirituais. Para reconstruir, os indígenas promovem campanhas nas redes sociais para arrecadar recursos destinados as obras.
A aldeia recebe também itens de necessidade emergenciais, como artigos de higiene pessoal e limpeza e alimentos. Os esforços para reerguerem as casas santas fez com que suspendessem temporariamente a produção de artesanato, que provêm o sustento deles.
*Atualizada às 14h de 21/04

