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qui, 25 jun 2026
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Jovens nem-nem: Brasil revela 6,2 milhões fora da escola e do trabalho

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No primeiro trimestre de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o “Diagnóstico da Juventude Brasileira”, revelando que, dos 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos no Brasil, 6,2 milhões se enquadram no perfil dos “jovens nem-nem”, ou seja, não estudam nem trabalham. Contudo, apesar deste desafio significativo, a maioria, com 13,9 milhões, encontra-se atualmente ocupada, evidenciando um cenário complexo para a inserção dos jovens no mercado de trabalho e na educação.

Panorama da Juventude Brasileira e o Grupo "Nem-Nem"

O levantamento do MTE, que cruzou dados robustos do IBGE/PNAD Contínua, MTE/RAIS e eSocial, forneceu uma visão detalhada da situação juvenil. Dentre o universo analisado, 12,8 milhões de jovens dedicam-se exclusivamente aos estudos, enquanto 9,6 milhões estão apenas no trabalho. Além disso, uma parcela de 4,3 milhões concilia ambas as atividades, demonstrando a diversidade de engajamento da juventude.

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Apesar do número expressivo de jovens ocupados, a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MT, Paula Montagner, destacou a prioridade de reengajar os “jovens nem-nem”. “Nosso primeiro esforço é trazer essas pessoas de volta para a escola, eventualmente trabalhando, se precisar, para poder remunerar”, afirmou. Assim, a busca por oportunidades educacionais e profissionais para este grupo representa um ponto central nas políticas públicas.

Desafios na Permanência e Qualificação Profissional

O estudo aponta uma alta rotatividade no emprego entre os jovens. Mais da metade dos adolescentes de 14 a 17 anos (52%) permanece menos de um ano no mesmo emprego, porcentagem que também é considerável entre os jovens de 18 a 24 anos (38,2%). De acordo com Montagner, esta volatilidade reflete, em parte, um período de experimentação e a falta de orientação adequada nas primeiras experiências de trabalho.

Nesse sentido, a escolaridade da juventude brasileira está em ascensão, com 73% dos jovens possuindo pelo menos o ensino médio e milhões frequentando ou já concluindo o ensino superior. Contudo, Montagner ressalta que o diploma, embora seja uma porta de entrada, impõe um novo desafio: transformar essa credencial em “trabalho decente, qualificado e bem remunerado”. Afinal, o ensino médio tornou-se a credencial mínima em todo o país.

Cenário do Desemprego e a Formalização no Mercado de Trabalho Jovem

Apesar da queda na taxa de desemprego jovem, que diminuiu pela metade desde o pico de 2021, os números ainda preocupam. No primeiro trimestre, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos estavam desempregados. Paralelamente, a taxa para jovens de 18 a 24 anos atingiu 13,8%, um percentual que supera o dobro da média nacional de 5,8% e ainda não recuperou os patamares pré-pandemia.

Ademais, a pesquisa trouxe dados encorajadores sobre a formalização dos vínculos empregatícios. Cerca de 57,8% dos jovens ocupados possuem carteira de trabalho, totalizando 8 milhões de vínculos formais em 2025. Montagner desmistificou a ideia de que o jovem não busca a formalidade. “Jovem não quer chefe resmungão, quer ter possibilidade de diálogo e alguma flexibilidade”, explicou, sinalizando as expectativas da nova geração em relação ao ambiente de trabalho.

Concentração em Ocupações de Baixa Especialização

A análise das ocupações mais comuns entre os jovens de 14 a 24 anos revela uma forte concentração em poucas áreas. Balconistas e vendedores lideram com 1,24 milhão de postos, seguidos por escriturários gerais (1,07 milhão). Auxiliares de construção de edifícios, recepcionistas e caixas também figuram entre as posições mais preenchidas, mostrando que 59% dos jovens estão nas 20 maiores ocupações.

Por conseguinte, a subsecretária adverte que este cenário de emprego jovem concentrado em funções de comércio e serviços, geralmente de baixa especialização e com salários próximos ao mínimo, é a raiz da baixa permanência nos postos de trabalho. A ausência de oportunidades de ascensão e o caráter de ‘experimentação’ contribuem para a rotatividade, exigindo, portanto, um olhar mais atento à qualidade do primeiro emprego.

Políticas de Inclusão e o Futuro dos Jovens Brasileiros

Diante do panorama revelado, o MTE enfatiza a necessidade de investir na formação e no acompanhamento dos jovens, especialmente os adolescentes. Montagner sublinha que, ao empregar um jovem, é fundamental dedicar tempo à sua formação, explicando tarefas e supervisionando o aprendizado. Consequentemente, isso pode mitigar a alta rotatividade e construir carreiras mais sólidas.

Assim, o desafio persiste em criar um ambiente que não apenas ofereça empregos, mas que também garanta desenvolvimento contínuo, convertendo a escolaridade em oportunidades de trabalho digno e crescimento profissional. A superação da situação dos “jovens nem-nem” e a qualificação da inserção no mercado de trabalho são cruciais para o desenvolvimento social e econômico do país.

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