A cesta básica de alimentos encareceu em 17 das 27 capitais brasileiras em junho de 2024, conforme revelou a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento apontou São Paulo como a capital com a cesta mais cara do país, um cenário que impacta diretamente a população de Guarulhos e de toda a Grande São Paulo.
Movimentação dos preços nas capitais
Em um panorama nacional, enquanto a maioria das capitais registrou alta nos custos dos itens essenciais, algumas localidades presenciaram uma redução. As elevações mais significativas ocorreram em Boa Vista, com um aumento médio de 3,28%, seguida por Palmas, que viu os preços subirem 3,01%. Além disso, Rio Branco e Porto Alegre também apresentaram altas notáveis, de 2,20% e 2,18%, respectivamente, intensificando o desafio para o orçamento familiar.
Por outro lado, algumas capitais conseguiram registrar quedas nos valores médios da cesta básica. A maior diminuição foi observada em João Pessoa, onde o custo recuou 3,97%. Na sequência, Recife e Maceió também apresentaram reduções expressivas de 3,62% e 3,61%, respectivamente. Contudo, a tendência geral para o primeiro semestre de 2024 é de alta, com todas as capitais acumulando elevações de preços. As taxas oscilaram entre 4,02% em São Luís e 21,48% em Fortaleza, demonstrando a volatilidade do mercado.
São Paulo registra a cesta básica mais cara do país
Guarulhenses e moradores da região metropolitana de São Paulo confrontaram, em junho de 2024, o custo da cesta básica mais elevada do Brasil, atingindo um valor médio de R$ 965,47. Esta constatação reforça a pressão sobre o poder de compra na maior metrópole do país. Consequentemente, outras grandes cidades também apresentaram valores elevados, com Cuiabá registrando R$ 937,93, Rio de Janeiro R$ 920,94 e Florianópolis R$ 918,42.
Em contraste, as capitais das regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta básica é ajustada às particularidades regionais, apresentaram os menores valores médios. Aracaju teve o custo mais baixo, de R$ 630,40, enquanto São Luís e Maceió registraram R$ 654,73 e R$ 671,41, respectivamente. Natal também figurou entre as mais acessíveis, com um valor médio de R$ 686,07, ilustrando as diferenças regionais na economia dos alimentos.
Principais responsáveis pela alta de preços
Diversos produtos essenciais impulsionaram o aumento do custo da cesta básica em junho de 2024. O feijão, por exemplo, valorizou-se em todas as cidades analisadas, tornando-se um dos principais vilões inflacionários. As adversidades climáticas, que impactaram diretamente a primeira e a segunda safras, além da redução da área cultivada, explicam as valorizações consecutivas do grão. Dessa forma, consumidores enfrentaram um item básico mais caro em suas compras diárias.
Além do feijão, outros alimentos fundamentais também contribuíram para o cenário de encarecimento. Os preços do arroz agulhinha e da carne bovina de primeira registraram aumentos significativos. Adicionalmente, o leite integral também apresentou elevação em seus custos, agregando mais um desafio para as famílias brasileiras. Portanto, a combinação desses fatores resultou em um impacto considerável no orçamento doméstico.
Salário mínimo ideal e o desafio do poder de compra
Com base nos dados da cesta básica mais cara do país, que em junho de 2024 foi a de São Paulo, o Dieese calculou o valor que o salário mínimo deveria ter para suprir as despesas essenciais de uma família. Segundo a determinação constitucional, o montante deve cobrir alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Assim, a estimativa para o salário mínimo ideal em junho alcançou R$ 8.110,92.
Este valor ideal representa uma disparidade acentuada em relação ao salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, que estava em vigor no período da pesquisa. A estimativa do Dieese é cinco vezes superior ao montante atual, evidenciando o grande descompasso entre a renda básica dos trabalhadores e o custo de vida necessário para atender às necessidades fundamentais. Em suma, a pesquisa ressalta a insuficiência do salário mínimo para garantir uma vida digna, especialmente em regiões com alto custo como a Grande São Paulo.


