O abandono internacional de uma idosa francesa de 77 anos e seu filho com síndrome de Down, de 42 anos, mobilizou autoridades no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ambos foram deixados no terminal aéreo e passaram dias vivendo em situação de vulnerabilidade, dependendo da ajuda de desconhecidos para se alimentar e se abrigar, segundo relatos de funcionários do aeroporto.
O caçula da idosa francesa embarcou em um voo da Qatar Airways, com destino à França, abandonando mãe e irmão na segunda-feira, 18 de agosto. A mulher, portadora de trombose na perna, tentava seguir viagem para Moscou, onde pretendia “ir para morrer”, segundo depoimento exclusivo obtido pelo Metrópoles. Entretanto, foi impedida de embarcar pela companhia aérea, que alegou questões médicas e de segurança para passageiros desacompanhados.
Mãe e filho viviam na Bolívia antes deste caso de abandono internacional. Segundo a francesa, em depoimento gravado no terminal 3, ela e o filho com síndrome de Down passaram uma temporada no país vizinho com o familiar que posteriormente os abandonou. Além disso, permaneceram cinco dias no aeroporto recebendo apoio de passageiros e funcionários sensibilizados com a situação.
O que disse a idosa francesa sobre o abandono internacional
Em depoimento obtido pelo veículo Metrópoles na quinta-feira, 21 de agosto, a francesa de 77 anos explicou sua situação enquanto permanecia no terminal 3 do aeroporto. Com a perna acometida pela trombose, ao lado de mochilas e sacos, ela relatou em inglês que antes de vir para o Brasil estava na Bolívia.
Segundo a francesa, o filho que posteriormente realizou o abandono internacional morava na Bolívia, onde ela e o homem com síndrome de Down passaram uma temporada. Quando chegou em Guarulhos, na segunda-feira, 18 de agosto, pretendia embarcar em um voo para Moscou, na Rússia, onde afirmou que gostaria “de ir para morrer”.
O embarque dela e do filho com neurodivergência foi impedido pela tripulação do voo pelo fato de a francesa não demonstrar condições de viajar sozinha com o filho. Dessa forma, iniciou-se a situação de abandono internacional que durou cinco dias no aeroporto.
Abandono internacional: hospedagem negada no aeroporto
Inicialmente, mãe e filho ficaram hospedados em um hotel nas dependências do aeroporto por duas noites, com diárias custeadas pela Qatar Airways. Entretanto, segundo relato da francesa, a companhia aérea depois exigiu que ela pagasse a estadia.
“Depois queriam que eu pagasse a estadia, então, saímos do hotel e, agora, estamos no começo da segunda noite”, relatou conforme registro em vídeo. Desde quarta-feira, 20 de agosto, ela e o filho passaram duas noites dormindo em bancos do terminal 3, por falta de opção e amparo.
Ambos se alimentaram exclusivamente graças à ajuda de passageiros e funcionários, sensibilizados com a condição dos dois durante este caso de abandono internacional. A situação perdurou até funcionários do aeroporto os levarem ao Posto Humanizado da Prefeitura na sexta-feira.
| Data | Evento | Responsável | Ação |
|---|---|---|---|
| 18/08 | Abandono internacional | Familiar | Embarcou sozinho para França |
| 18-23/08 | Permanência no terminal | Passageiros/funcionários | Ofereceram alimentos e abrigo |
| 23/08 | Acionamento de autoridades | Administração do aeroporto | Contato com Prefeitura |
| 21/08 | Depoimento da francesa | Metrópoles | Registro exclusivo da situação |
| 23/08 | Atendimento humanizado | Prefeitura de Guarulhos | Encaminhamento ao posto |
| Em andamento | Assistência consular | Consulados França/Bolívia | Regularização da situação |
Fonte: Relatos de funcionários do aeroporto e informações da Prefeitura de Guarulhos
Cronograma completo do abandono internacional
A Prefeitura de Guarulhos informou que está em contato com o Consulado da França e com representantes diplomáticos da Bolívia, país onde mãe e filho residiam antes do abandono internacional. A Prefeitura de Guarulhos informou que está em contato com o Consulado da França e com representantes diplomáticos da Bolívia, país onde mãe e filho residiam antes do abandono internacional.
Dessa forma, o objetivo é garantir suporte necessário para regularizar a situação e, eventualmente, providenciar retorno seguro ao país de origem. Além disso, os consulados podem providenciar documentos de viagem emergenciais e custear despesas básicas em situações humanitárias.
O Consulado da França em São Paulo, responsável pela região, possui protocolos específicos para atendimento de nacionais franceses em situação de vulnerabilidade no exterior.
Por que a Qatar Airways impediu o embarque?
A companhia aérea Qatar Airways, quando procurada para esclarecimentos sobre o abandono internacional, informou que seguiu protocolos internacionais de segurança. Portanto, entenderam que a idosa francesa com trombose na perna e seu filho com síndrome de Down não estavam aptos a viajar desacompanhados.
Companhias aéreas possuem regulamentações rígidas para transporte de passageiros com necessidades especiais. Assim, pessoas com deficiência intelectual ou limitações físicas significativas necessitam acompanhante ou autorização médica específica para voos internacionais.
O protocolo visa prevenir emergências médicas durante o voo e garantir que passageiros vulneráveis recebam assistência adequada em caso de necessidade.
Onde estão agora as vítimas do abandono internacional?
Ambos foram encaminhados inicialmente ao Posto de Atendimento Humanizado da Prefeitura de Guarulhos, onde receberam os primeiros cuidados sociais e médicos. Em seguida, foram transferidos para um hospital da rede municipal, onde permanecem internados sob acompanhamento médico e psicológico.
A internação permite avaliação completa do estado de saúde da idosa francesa, especialmente devido à trombose na perna agravada pelos dias de permanência em cadeiras do aeroporto. Além disso, seu filho com síndrome de Down recebe acompanhamento psicológico para lidar com o trauma do abandono internacional.
Autoridades municipais trabalham em conjunto com órgãos de assistência social, saúde e relações exteriores para garantir solução humanitária e segura.
Consequências do abandono internacional: aspectos legais
O caso levanta discussões importantes sobre responsabilidade familiar, especialmente em situações que envolvem pessoas com deficiência e idosos com limitações físicas. Assim, o abandono internacional de pessoa idosa ou com deficiência pode configurar crime no Brasil, com penas previstas no Código Penal.
Além disso, reacende o debate sobre protocolos de embarque de passageiros em situação de vulnerabilidade. Companhias aéreas devem identificar e prevenir riscos durante o processo de viagem, mas também garantir que familiares não usem essas restrições para abandonar parentes vulneráveis.
O caso segue acompanhado por múltiplos órgãos, incluindo Ministério Público, Defensoria Pública e autoridades consulares, que trabalham para garantir proteção aos direitos das vítimas deste abandono internacional.
Prevenção ao abandono internacional em aeroportos
Aeroportos internacionais como Guarulhos desenvolveram protocolos específicos para identificar situações de abandono internacional. Funcionários são treinados para reconhecer sinais de vulnerabilidade e acionar rapidamente serviços de assistência social.
O Posto de Atendimento Humanizado da Prefeitura de Guarulhos representa exemplo de política pública voltada especificamente para casos emergenciais no aeroporto. Dessa maneira, situações como esta podem ser atendidas com maior agilidade e eficiência.
A cooperação entre administração aeroportuária, autoridades municipais e representações consulares é fundamental para resolver casos complexos de abandono internacional com dignidade e respeito aos direitos humanos.

