O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação da geração de 1,8 gigawatts (GW) adicionais de energia. Esta medida visa reforçar a segurança do sistema elétrico brasileiro, com implementação a partir de setembro de 2024, em resposta aos riscos potenciais do fenômeno climático El Niño e a um cenário de incertezas geopolíticas.
A decisão abrange cinco empresas que venceram os leilões de reserva de capacidade, realizados em março de 2024, que resultaram na contratação total de 2,2 GW. Conforme parecer do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a ocorrência do El Niño no segundo semestre de 2026 poderá impactar diretamente o setor, reduzindo a produção de energia na Região Norte e elevando o consumo devido às altas temperaturas esperadas.
Impacto do El Niño no setor elétrico
O El Niño consiste no aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Consequentemente, este fenômeno altera padrões de chuva e circulação de ventos em escala global, influenciando diretamente o regime hidrológico e, por sua vez, a capacidade de geração hidrelétrica em diversas bacias brasileiras.
A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de previsão climática dos Estados Unidos, estima em 81% a chance de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. Além disso, se a previsão se confirmar, este pode se tornar o El Niño mais intenso registrado desde 1950, quando as medições foram iniciadas. Um fenômeno mais forte não assegura eventos climáticos severos, mas aumenta significativamente a probabilidade de ocorrência de tempestades e ondas de calor.
No contexto brasileiro, a potencial redução da oferta de energia na região Norte, aliada ao aumento da demanda por eletricidade em função do calor extremo, impõe desafios consideráveis à estabilidade da rede. Portanto, a antecipação da capacidade de geração busca mitigar esses riscos e assegurar o abastecimento em todo o país.
Estratégia preventiva e cenário econômico
O Ministério de Minas e Energia salienta que o volume de energia antecipado é crucial para garantir a segurança do sistema elétrico nacional em 2026 e início de 2027. Por outro lado, a medida também considera incertezas geopolíticas globais, que podem impactar diretamente os preços dos combustíveis utilizados em termelétricas, elevando os custos de produção de energia.
Estudos da pasta indicam que a utilização de usinas sem contrato (conhecidas como “merchant”) para suprir a demanda de carga custa, no mínimo, 25% a mais do que a energia contratada via leilões. Assim, a antecipação de contratos representa uma estratégia não apenas de segurança energética, mas também de otimização de custos para o consumidor e para o sistema como um todo. Os efeitos do El Niño são esperados até o final de 2026, estendendo-se até o ano de 2027.

