A Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano estratégico de R$ 130 milhões, com lançamento previsto para agosto de 2026. A iniciativa visa diversificar as exportações do Brasil e, assim, mitigar os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil detalhou que o projeto envolverá a colaboração de 57 setores econômicos nacionais. Cerca de 2,4 mil empresas exportadoras, atuantes em diversas áreas, participarão ativamente para explorar novos mercados globais.
Novos destinos prioritários para o Brasil
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, explicou em entrevista coletiva no dia 17 de maio de 2026 que o foco principal reside na diversificação geográfica. Anteriormente, a agência já promovia a expansão para novos mercados; contudo, o cenário atual do comércio internacional exige um olhar aprofundado para novas oportunidades estratégicas.
Entre os mercados prioritários, destacam-se a União Europeia, impulsionada pelo recente acordo com o Mercosul, e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, integrantes da Asean, apresentam elevadas taxas de crescimento econômico e, portanto, representam destinos promissores para os produtos brasileiros.
Além disso, nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também figuram entre os alvos de prospecção. Müller apontou que estes são países em rápido desenvolvimento, com populações jovens em crescimento acelerado, que demandam produtos que o Brasil já oferece, abrindo assim novas frentes comerciais.
Tarifas dos Estados Unidos geram impacto
No dia 15 de maio de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A justificativa apresentada pelo USTR baseou-se em supostas práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil.
O governo brasileiro, por sua vez, rejeita veementemente as alegações, classificando a medida como politicamente motivada. Brasília argumenta que Washington exigia uma abertura completa de mercados sem oferecer contrapartidas equivalentes. As novas tarifas entrarão em vigor a partir de 22 de julho de 2026.
Durante as negociações que precederam a decisão, houve uma ampliação da lista de produtos isentos das tarifas. Inicialmente, 615 itens estavam livres de taxação, número que subiu para 699. Esta revisão elevou o valor isento de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões, considerando os dados de exportação de 2025.
Estratégia de diversificação mostra resultados
O presidente da ApexBrasil revelou que o primeiro semestre de 2026 já registrou uma redução de aproximadamente US$ 2,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos, refletindo o impacto de tarifas anteriormente impostas. Enquanto isso, o Brasil compensou parte dessa queda com um aumento expressivo para outros destinos.
Houve um crescimento de US$ 3,1 bilhões nas exportações para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e um notável incremento de US$ 10,5 bilhões para a China. Além disso, as negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também representam oportunidades estratégicas para aprofundar a diversificação comercial do país.
Müller sublinhou que a estratégia de diversificação iniciou-se ainda em 2025, logo após as primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos. Consequentemente, 72% das 2,4 mil empresas apoiadas pela ApexBrasil que exportam para os EUA já haviam ampliado seus mercados entre junho de 2025 e maio de 2026, adicionando pelo menos um novo destino de exportação.
Embora alguns mercados se mostrem mais acessíveis, outros demandam um esforço de médio a longo prazo, envolvendo, por vezes, a criação de demanda e o trabalho de reconhecimento de produtos brasileiros. Contudo, o Brasil tem se destacado globalmente como um fornecedor estável e confiável.
Em 2025, o país atraiu US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, tornando-se o quinto maior receptor global. Esse dado representa um crescimento de 22% na atração de investimentos, em contraste com a média de 2% observada em outros países em desenvolvimento, consolidando o Brasil como um destino principal para capital externo.

