Nesta semana, Brasil e Quênia, representados por seus presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e William Samoei Ruto, defenderam publicamente as parcerias que firmam com a China, durante a cúpula do G7 na França. Ambos os líderes rechaçaram as críticas das potências ocidentais a Pequim, argumentando que os acordos com a economia chinesa representam oportunidades cruciais para o desenvolvimento de nações emergentes. A posição conjunta surgiu em um momento de crescentes tensões econômicas globais.
O Posicionamento de Brasil e Quênia
Diante dos chefes de Estado do G7, o presidente Lula afirmou que aquilo que as nações desenvolvidas veem como uma ameaça — a economia chinesa — é, na verdade, uma oportunidade para países como o Brasil. Ele ressaltou a importância dos investimentos chineses na América Latina e na África, contrastando-os com a menor presença de investidores europeus e norte-americanos nessas regiões. Portanto, para o Brasil, Pequim oferece acordos economicamente vantajosos.
Ademais, o presidente queniano William Samoei Ruto reiterou a relevância da China como parceira, enfatizando que é preferível ter Pequim como aliada do que não ter apoio algum. Ele sublinhou como a ascensão econômica chinesa tem sido fundamental para o desenvolvimento africano nos últimos 20 anos, especialmente em projetos de infraestrutura de transporte, energia e indústria. Consequentemente, a China se tornou um pilar estratégico para o continente.
Na América Latina, a influência chinesa também se consolidou, tornando-se o principal parceiro comercial de muitos países da região nos últimos anos. Contudo, essa crescente presença chinesa tem gerado preocupação em Washington, com o governo dos EUA reafirmando a necessidade de manter sua ‘proeminência’ no continente. Assim, o debate transcende a esfera econômica, atingindo também o campo geopolítico global.
Críticas do G7 à Economia Chinesa
Um dos documentos resultantes da cúpula do G7 aponta que a economia chinesa estaria ‘desequilibrando’ a dinâmica internacional, prejudicando não apenas a Europa, mas também os Estados Unidos. Os líderes ocidentais expressam preocupação com o superávit comercial da China, estimado em US$ 1,2 trilhão até 2025, e seu consumo interno cronicamente baixo. Esse cenário, segundo o grupo, reflete uma balança comercial desequilibrada globalmente.
Além disso, o G7 manifesta preocupação com desequilíbrios em setores específicos, como terras raras e veículos elétricos, onde Pequim exerce liderança no comércio global. O documento também critica a desvalorização do renminbi (RMB), a moeda chinesa, alegando que ela favorece as exportações do país. Uma maior flexibilidade na taxa de câmbio do RMB seria, portanto, desejável para o grupo das sete maiores economias.
A Resposta de Pequim e o Brasil no G7
Questionado sobre as críticas do G7, o porta-voz do ministério das relações exteriores da China, Lin Jian, refutou as acusações. Ele afirmou que as práticas comerciais chinesas estão alinhadas com as normas internacionais, exortando o G7 a respeitar os princípios da economia de mercado e as regras do comércio, evitando perturbar a ordem internacional com ‘regras criadas por um pequeno grupo’.
No contexto da cúpula, o Brasil assinou três dos nove documentos propostos pelo G7. Os acordos firmados tratam do combate ao câncer, da proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, e da luta contra o narcotráfico, com a condição de não associar este último ao terrorismo. Essa ressalva reflete a preocupação brasileira de evitar pretexto para intervenções estrangeiras no país.
Por outro lado, o governo brasileiro optou por não assinar os demais documentos, justificando que os textos apresentavam uma ‘visão de mundo’ alinhada aos países do G7, divergindo dos interesses e perspectivas de uma nação em desenvolvimento. Isso demonstra uma postura independente do Brasil frente às agendas das potências ocidentais, buscando defender seus próprios princípios no cenário internacional.

