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Coluna Aberta: Mãe pela via Adotiva e sua saúde mental materna

Foto: Divulgação

Sempre que se aborda o tema maternidade ou gestação, é importante se atentar ao que realmente se quer. Quero ser mãe? Ou viver a experiência de gerar um filho e parir?

São situações que exigem disponibilidades e entregas diferentes dessa mulher, e entender isso é diminuir inúmeras chances de descontentamentos emocionais graves, que impactam na saúde mental dessa mãe/mulher e da criança ou adolescente adotado.

Muitas mulheres apresentam questões em sua saúde, que as impossibilitam de gerar um bebê, outras não apresentam questões físicas, mas emocionais sobre a indisponibilidade em gestar um bebê. Um dos exemplos que podemos citar, seria aquela mulher que sofre de tocofobia, que se dá sobre o medo fóbico da gestação e parto. Para ambos os casos entenderemos aqui neste texto, que essa mãe apresenta à vontade em exercer a maternidade.

Uma solução para isso, seria a busca pela via adotiva. Primeiro, o ideal é que essa mulher seja indicada a um psicólogo para que lá possa elaborar suas questões sobre o “não gerar” para que possa de fato compreender a sua busca na adoção. Importante lembrar que hoje qualquer pessoa independente do gênero, orientação sexual e estado civil, podem adotar, diante da apresentação completa das documentações exigidas pela vara da infância, e tendo avaliação positiva psicossocial, além de frequentar o curso de preparação para adoção e assim entram na lista de espera, um fato a salientar é que a adotante precisa ter ao menos 16 anos de diferença sobre a idade do indivíduo que deseja adotar.

Importante trazer aqui como certos comentários, podem prejudicar a saúde mental dessa mulher, algumas pessoas que deveriam ter uma atuação ativa na rede de apoio, ao saber sobre o desejo ou decisão daquela mulher em adotar uma criança, afirmam: “Nossa você vai criar o filho de outra pessoa?” “Você está louca de pegar um problema dos outros? “Filho já dá trabalho, imagina quando não é seu filho”  ou quando a criança já está morando com essa mãe adotiva, ainda permanecem comentários que podem ferir a saúde mental, inclusive impactando no vínculo de ambas: “Nossa essa criança tem muita sorte de ter sido adotada por você”, ou “Nossa que ação bonita está fazendo” “Que gesto caridoso, com certeza já garantiu seu lugar no céu fazendo o bem a quem precisava”, ou até mesmo trazendo rótulos para essa criança com base em crenças pessoais:  “Tenho uma amiga que adotou uma criança e quando era pequeno era um fofo, mas quando cresceu começou a fazer uso de drogas e a ser violento, essa questão da genética uma hora ou outra se manifesta”

Por conta disso, muitas vezes essa mulher pertencente a um relacionamento afetivo ou não, se sente sozinha e angustiada, e procura não externalizar o desejo de adotar como resultado de uma insegurança a partir da escuta de falas, como as citadas acima, de pessoas próximas e com grande relevância emocional para a mesma.

A motivação adequada é a base de uma adoção bem sucedida. Escutar e amparar as necessidades dessa mulher diante da sua decisão e não a julgar com base em nossas crenças e dores não elaboradas.

Mães de adoção, não são menos mães, são mães do coração, com disponibilidade afetiva para cuidar e se doar a um outro indivíduo com cicatrizes emocionais decorrente de sua história, que deve ser respeitada e reconhecida.  Essas mães, apresentam necessidades emocionais particulares e outras similares as mães biológicas, portanto, cabe a todos nós oferecermos o acolhimento necessário para que possa ser promovido um vínculo parental saudável entre ela e seu (a) filho (a). Assim continuaremos disseminando a importância dos cuidados e atenção à subjetividade de cada mãe e maternidade e a Saúde Mental Materna. 

Hoje temos pediatras, psicólogos, doulas, especialistas em casos de adoção, busque apoio de profissionais que possam auxiliar sua caminhada diante do tema.

A adoção não é um tabu, deve ser tratada com naturalidade.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental

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