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CNI mantém projeção para o PIB, mas alerta para desafios econômicos

© Iano Andrade / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reiterou sua estimativa de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2024. O informe conjuntural do segundo trimestre, divulgado em maio, sinaliza uma expansão econômica impulsionada por setores específicos, entretanto, o cenário fiscal e a inflação elevada seguem como obstáculos significativos.

O ritmo moderado do avanço econômico nacional, conforme a CNI, depende fortemente da indústria extrativa, do agronegócio e da resiliência do setor de serviços. Por outro lado, a entidade adverte que fatores como as altas taxas de juros, a persistência inflacionária, os custos de produção em ascensão e o aumento das importações devem conter uma recuperação mais vigorosa da atividade produtiva.

Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, sublinhou em nota que o crescimento continuará apoiado pelos segmentos ligados a commodities e por estímulos à demanda. Contudo, a política monetária restritiva, que visa controlar a inflação, e as fragilidades fiscais do país permanecem como impedimentos a uma expansão mais acelerada da economia.

Inflação e preocupações fiscais

A CNI ajustou para cima a sua expectativa para a inflação em 2024, prevendo que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegue a 5%. Esta revisão indica que alimentos, combustíveis e a inflação de serviços continuarão a exercer pressão sobre os preços ao consumidor ao longo do ano. Portanto, a contenção do poder de compra das famílias permanece um desafio.

Além disso, o panorama fiscal também gera apreensão na confederação. Embora a arrecadação federal deva apresentar crescimento real de 5,8% acima da inflação, as despesas públicas projetadas em 4,5% acima da inflação devem manter as contas governamentais no campo negativo. Isso, consequentemente, contribui para a elevação do endividamento público, estimado em 82% do PIB para 2024, com um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em 2026.

Desempenho setorial da economia

Indústria

A expectativa de crescimento para a indústria foi revisada positivamente, atingindo 2,1% para o PIB industrial em 2024. A indústria extrativa, por exemplo, eleva sua projeção de 7,8% para 9,1%, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e pela menor sensibilidade aos juros elevados. Enquanto isso, a indústria de transformação teve sua estimativa ajustada de 0,3% para 0,6%, ainda enfrentando pressão do avanço das importações, dos juros altos e da elevação dos custos decorrentes do conflito no Oriente Médio. Somente sete dos 24 segmentos industriais apresentam expansão neste ano.

A construção civil, contudo, deve apresentar um impulso, com a projeção de crescimento passando de 1,3% para 1,5%. Este otimismo resulta de medidas governamentais destinadas a estimular o crédito habitacional e os investimentos em infraestrutura. Tais iniciativas são vistas como essenciais para movimentar o setor.

Agropecuária e serviços

A projeção para a agropecuária foi elevada pela segunda vez consecutiva, de 1,1% para 1,8%, motivada pela expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, e pelo crescimento da produção animal. Apesar do aumento nos custos de insumos, que são influenciados pelo conflito no Oriente Médio, o setor demonstra um desempenho robusto e superior às previsões iniciais.

O setor de serviços, por sua vez, viu sua projeção de crescimento ser levemente ajustada para baixo, de 2,1% para 1,9%. Apesar de continuar sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação, a CNI observa uma redução na expectativa devido ao aumento da inadimplência das famílias, maior endividamento e a permanência dos juros elevados.

Perspectivas para a taxa de juros

Diante do cenário de inflação persistente e da piora do panorama fiscal, a CNI reavaliou suas expectativas para a taxa básica de juros (Selic). A entidade agora projeta apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, com a Selic encerrando 2026 em 13,75% ao ano, uma revisão para cima em relação à previsão anterior de 12,75%. Assim, a política monetária deverá manter-se em um patamar bastante restritivo durante todo o próximo ano, com juros reais estimados em 9,2%.

Cenário externo e comércio

No âmbito internacional, o conflito no Oriente Médio persiste como o principal fator de risco para a economia brasileira. Esta situação tem elevado os custos de combustíveis, energia e fertilizantes. Contudo, a CNI avalia que esta pressão pode diminuir ao longo de 2024, considerando o aumento esperado da oferta mundial de petróleo. Além disso, o avanço de 16% nas importações de bens de consumo no primeiro semestre de 2024, em contraste com a desaceleração da indústria nacional, é outro ponto de atenção.

O comércio exterior brasileiro apresentou um superávit de US$ 77,9 bilhões, representando um aumento de 30,4%. As exportações alcançaram US$ 383,9 bilhões (crescimento de 9,5%), enquanto as importações totais somaram US$ 306 bilhões (aumento de 5,2%) no mesmo período. Portanto, apesar dos desafios globais, a balança comercial mantém um desempenho robusto.

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