Ícone do site Guarulhos Online

Coluna Aberta: Abandono na Maternidade

Foto: Divulgação

Considerado como abandono na maternidade, podemos citar alguns, por exemplo, abandono dessa mãe sobre os cuidados consigo mesma no período gestacional e pós, abandono dos familiares – rede de apoio – contribuindo para uma possível exaustão materna, abandono afetivo ou físico do parceiro, abandono corporativo social: quando algumas empresas rotulam aquela mulher como menos produtiva ou disponível ao negócio por estar gestante ou ser mãe. Mas, hoje quero focar especificamente sobre o abandono afetivo e/ou físico do parceiro no período gestacional.

De acordo com pesquisas, atualmente no nosso país, de cinco mulheres gravidas uma é abandonada no período gestacional pelos seu parceiro, e diversas são as justificativas indicadas, brigas constantes e desgaste na relação inclusive decorrente de gestações anteriores estão disparados, mas também, podemos citar: exigências sexuais do parceiro, traições, filho diagnosticado ainda na barriga com alguma deficiência congênita, o desejo da gestação não compartilhado entre o casal e a sugestão ou imposição que seja feito o aborto, entre outros.

Como já sabemos, a mulher no período gestacional passa por inúmeras mudanças, dentre elas hormonais impactando na libido, além de causar mudanças de humor, com episódios de maior quietude, desanimo advindo do cansaço e mal-estar gerado por enjoos e dores, além de apresentarem maior sensibilidade e assim, impactar nos relacionamentos mais próximos.

Um fato importante é que além da mulher/mãe ser abandonada, esse bebê também carregará consigo a ferida do abandono mesmo sendo ele acolhido, cuidado e amado por essa mãe. A ferida do abandono deixa marcas e impactam em sua vida podendo gerar comportamentos mais agressivos na criança, inclusive pelo impacto que é gerado durante a gestação sendo a mãe o ambiente para gerar uma nova vida (epigenética), quando exposta a cortisol (estresse) de maneira frequente e em excesso, impacta no comportamento mais reativo desse indivíduo durante sua vida.

Chamo a atenção sobre a importância de um olhar mais sensível a essa gestante, e sobretudo a esse casal, para que de acordo com o cenário que se apresentem, possamos nós, como rede de apoio, ouvir, acolher e por vezes, direcionar a um profissional que possa contribuir para um desafogar dentre tantas emoções embaralhadas, dúvidas e dores geradas anteriormente a ferida do abandono, uma ferida na alma profunda com rastros em uma vida.

O quanto compreendemos que nossas escolhas impactam de maneira benéfica ou nociva, em milhares de outras vidas e gerações?

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Coaching – Autoperformance Feminina | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

Sair da versão mobile