Ícone do site Guarulhos Online

Coluna Aberta: Mães com deficiência

Foto: Divulgação

No mês de setembro também se comemora o dia nacional de luta da pessoa com deficiência, e quero aproveitar para chamar a sua atenção sobre mulheres com algum tipo de deficiência e que se tornam mães.

Entre tantos desafios, quero dividir alguns para que nós, como sociedade, possamos estar mais atentos ao impacto na saúde mental dessa mãe e no desenvolvimento emocional dessa criança.

Afinal, quando que essa mulher perdeu o direito de ser mãe por ser deficiente? Seja ela a deficiência que for, essa mulher é assegurada do direito de ter filhos e construir uma família.

Imaginem o que é para algumas mulheres deficientes que recebem desde cedo uma orientação sobre a impossibilidade de gerar ou o direcionamento preconceituoso camuflado de “sugestão” em não tentar ser mãe, decorrente de suas limitações, sejam elas quais forem.

Estamos falando de deficiências diversas, desde: físicas, mentais, congênitas, visuais, auditivas ou múltiplas. Enfrentando tantos desafios e julgamentos, as fazendo sentir-se por vezes, com a necessidade de provar que podem e que são capazes de exercer uma boa maternidade aos olhos daqueles que a julgam. Sendo esse um potencial comportamento para desenvolver algum tipo de adoecimento emocional, diante de um sofrimento psíquico.

“Para que ter filhos se não poderá cuidar?”, “Para que inventar! E se nascer igual ela?”, “Melhor não ter relações sexuais para não correr o risco”, entre outros comentários que a inferiorizam, impactam no modo que a mulher se vê e prejudicam sua saúde como um todo. O quanto o descrédito pode contribuir para a limitação de um ser?

Podemos observar o quão não estamos preparados ou enxergando essas mulheres, por exemplo, em situações como consultas de pré-natal ou exames de ultrassom, nas quais trata-se de uma mãe surda ou cega, em um ambiente sem intérprete ou alguém que possa explicar para ela o que está sendo visto ou ouvido. Um maior tato, interesse e disponibilidades dos profissionais para acolher e enxergar essa mãe deficiente e todas as questões que a permeiam até aquele momento fará a diferença.

Quero salientar ainda situações onde o bebê é tirado do convívio da mãe ou até mesmo tratado como filho(a) pela a avó ou alguém da família, com a justificativa de que a mãe da criança não exercerá o papel de acordo, salvo os casos que coloquem essa criança em risco, a mãe e o bebê devem se manter juntos, criando vínculo, com a presença de uma rede de apoio saudável a contribuir com essa construção de relacionamento tão importante para o desenvolvimento do bebê

Quando encontrar com uma mulher ou mãe deficiente, não olhe para as limitações que você acredita que aquela deficiência possa trazer a ela, e sim, a admire, diante das escolhas que fez ultrapassando tantas adversidades.  Elogie ou sorria para ela.

O ser humano é muito além daquilo que você vê. Desafie-se a olhar além!

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

Sair da versão mobile