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Coluna aberta: Mães e a prematuridade

Foto: Divulgação

Bem-vindo(a) ao mês de novembro, e com ele o tema: prematuridade de bebês. Conhecido como novembro roxo, simbolizando um movimento e a sensibilização quanto ao tema. Afinal, quando se considera um bebê prematuro? Podemos dizer que todo bebê nascido vivo antes das 37 semanas de gestação. Mas ressalto que tem uma classificação por tipo de prematuridade, por exemplo: prematuro extremo com menos de 28 semanas de vida, muito prematuro que nascem entre 28 e 32 semanas de vida e prematuro limítrofe, nascidos entre a 32° e 37° semana da gravidez.

Sabendo agora como considerar a prematuridade em bebês, passamos o olhar a mãe de bebês prematuros, aquela mãe que por vezes não apresentou nenhuma necessidade que indicasse em sua gestação um nascimento prematuro, ou seja, estamos falando daquela mãe que permanecerá na UTI com sentimentos de muita confusão e até mesmo negação. Também falo daquelas mães que durante a gestação apresentaram questões como pressão alta ou pré-eclâmpsia, distúrbio de coagulação, infecções no trato urinário, obesidade, alguma anomalia congênita do bebê, entre tantos outros possíveis acontecimentos em sua saúde que podem resultar em uma gestação de alto risco, que acompanha durante o período gestacional uma grande turbulência em suas emoções, como um medo constante, dúvidas e limitações, como também, quero chamar atenção para aquela mãe, que apresenta uma condição socioeconômica e de pouco ou nenhum acesso à informação e não realiza o pré-natal adequadamente, faz uso de drogas, fumo, álcool e passa por situações de grande vulnerabilidade, apresentando um alto grau de ansiedade e estresse.

Então aquela mãe ao invés de receber seu bebê nos brações, precisa fazer a pergunta “Mas, quem é o meu bebê?” na porta da UTI. Todas essas mães têm a necessidade e direito em receber acolhimento, pois além de todas as ambivalências de uma gestação, a prematuridade valida sentimentos de incerteza e culpa assumida por ela, que se entende muitas vezes como responsável pela situação da criança recém-nascida, com o agravante de ter acesso limitado ao seu filho. Além de lidar com as questões do luto do bebê ideal

Com a prematuridade do bebê a rotina daquela mãe sofre alterações significativas e que, por vezes, não estavam no planejamento, reacomodação de atividades profissionais e familiares, como por exemplo o cuidado de outros filhos e parentes, custos financeiros extras, que podem se estender pela vida daquela criança dependendo das particularidades dos motivos de sua prematuridade.

É um período sensível, onde o foco está em auxiliar aquele bebê a sobreviver diante de suas limitações e dificuldades, com diferentes e importantes estratégias, mas, uma estratégia essencial para a melhora daquele bebê, é acolher aquela mãe, para que ela possa exercer o amparo adequado e essencial aquele novo ser.

Apoio psicológico especializado nesse momento à essa mulher, se faz necessário para que ela possa desenvolver capacidades, tais como, de elaboração ou ressignificação de suas vivências dentro de uma maternidade atípica.

“ O primeiro espelho da criatura humana é o rosto da mãe: a sua expressão, o seu olhar, a sua voz. […] É como se o bebê pensasse: olho e sou visto, logo, existo!” (Donald Woods  Winnicott)

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

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