Em pleno mês das mulheres, quero dividir com vocês uma reflexão sobre o arquétipo mãe.
Alguns podem se perguntar: Mas, o que é arquétipo? “Um exemplo perfeito de algo” – Arquétipo é um conceito trazido por Carl Jung- (psiquiatra / psicoterapeuta Suíço), como ideia ou modo de pensamento herdado que está presente no inconsciente de todos os indivíduos, denominado de inconsciente coletivo. Nosso inconsciente coletivo é moldado diante de culturas, épocas, e sociedades diferentes.
Esse arquétipo mãe, não se dá somente sobre aquelas que já passaram pela experiência de ter um filho, representa também o poder feminino, sobre nutrir e trazer algo novo ao mundo. Portanto, diz respeito, por exemplo, a iniciar projetos e idéias. Fala sobre a mulher criativa poderosa, com grande força vital, além de amor supremo, cuidado e proteção aos seus, muitas vezes abdicando de suas necessidades pelo bem estar do outro.
No passado (não tão distante) para algumas culturas, inclusive a nossa, a maternidade era vista como essencial para o significado da mulher, como se a existência dessa mulher se completasse ao dar à luz a um filho e são estimuladas desde pequenas através de influência socioculturais a isso, como se tivesse um objetivo a cumprir e um papel a exercer diante de sua sociedade.
Cada mulher agirá de acordo com suas memórias afetivas e seu bem estar psíquico diante de responsabilidades ou deveres, mas ainda hoje nos vemos julgando-as sem se atentar as suas particularidades, quando não identificamos que cumpram o comportamento esperado, com expressões do tipo: “Que tipo de mãe é essa? Não cuida, e/ou abandona”. Ideia que o arquétipo da mãe representa no inconsciente coletivo, a compreensão sobre o que é ser mãe é armazenada no nosso subconsciente, moldando nosso pensamento a entender que não é aceitável ser mãe se não daquela forma.
O quanto essa compreensão “do que é ser mãe” acaba nos limitando, sobre exercer o olhar para essa mulher que significa tanto para sociedade atual e em construção. A questão é, que não só as limitamos como também nós mesmos, por entender que devemos responder ao que se é esperado, ao rótulo, padrão e script social, contribuindo para maiores chances de exaustão mental, entre outros quadros de demanda psicológica.
Cobrança torna a vida mais pesada, ainda mais para busca de uma aceitação social desmedida e de certa forma, camuflada atualmente. É necessário que sejamos olhadas uma a uma em nossa singularidade e não rotuladas diante do que compreendem correto dentro de um determinado papel.
Sermos vistas pelo que somos, e não pelo que fazemos, já seria um bom começo.
Nesse mês onde se comemora o dia da MULHER, as presenteei enxergando-as com interesse e com valor que merecem.
E você MULHER, usufrua do arquétipo mãe, da melhor maneira que lhe cabe a si, aos seus olhos, de acordo com suas singularidades e subjetividades. Não siga apenas um roteiro, faça a sua história.

