A Fórmula 1 iniciou seu campeonato pelo oriente médio, desta vez para a maior temporada, com 24 corridas no ano. Será um grande desafio logístico, exigindo o máximo de pilotos e equipes. Especialmente esse ano começou de uma forma bem agitada, não pelo que foi visto na pista mas sim pelo que ocorreu nos bastidores, o qual tratarei mais ao fim deste texto.
Começando pela primeira corrida do ano, que ao meu ver podemos resumir de uma forma bem simples, foi sem graça. Explicando melhor, para a Red Bull não pode ter sido uma pré temporada e uma primeira etapa melhor, Max, não venceu, ele sobrou, dominou, de forma que nem pareceu fazer esforço. Foi pole, liderou toda a prova e chegou na frente com mais de 20s de vantagem. Checo Perez, seu companheiro, apesar de ter largado algumas filas atrás, fez o que era esperado e chegou em segundo lugar.
Podemos cravar com quase que 100% de certeza que a Red Bull levará o título de construtores (se o Perez não fizer besteira) e Max será tetracampeão com antecipação, pois a equipe vem fazendo um trabalho técnico espetacular nestes últimos anos, e o resultado é sua dominância. E sim sempre foi assim e sempre será na Fórmula 1.
Agora depende do Perez, competir contra os outros 18 pilotos pelo segundo lugar, e é aí que o negócio fica interessante. A Ferrari, parece que evoluiu seu carro nesse ano, parece ser mais consistente em corridas, e não só bom em classificação. Sainz, mostra-se maduro em corridas trazendo bons resultados para o time desde o ano passado, mas tem seu futuro incerto, Leclerc por outro lado, é a promessa que não tem vingado, é bom piloto mas tem deixado a desejar, e tem um futuro desafiador a partir de 2025. Mas ambos os pilotos fizeram o dever de casa e colocaram as Ferraris logo atrás da equipe austríaca.
A Mercedes foi outra que evoluiu, abandonou de vez a filosofia do zero pod, mostrando neste início de temporada que parece ter um carro mais consistente, mas que precisa evoluir e Russell mostrou isso brigando com as Ferraris, já Hamilton ficou mais atrás e decepcionou na entrega nesta etapa, mesmo tendo terminado na zona de pontos.
Williams, McLaren, Aston Martin e a antiga Alpha Tauri, mostraram também evolução e acredito que serão equipes que irão embolar o pelotão do meio dessa temporada, trazendo disputas interessantes e a motivação pelo qual vemos corridas.
Um fato curioso desta temporada é a mudança dos nomes de algumas equipes que ficaram estranhos para não dizer outra coisa, a Alpha Tauri é agora Visa Cash App RB, e a Alfa Romeo de 2023, que sempre foi conhecida como Sauber (nome muito conhecido e forte no automobilismo), agora em 2024 chama-se Stake F1 Team. Para facilitar nossa vida seguirei chamando a primeira de RB e a segunda de Sauber.
Mas não foi isso que abalou as estruturas e o mundo da F1 neste início de ano, mas sim dois fatos que podem ser comparados à explosão de uma bomba atômica, foram, começando pela mais simples, Hamilton anuncia sua saída da Mercedes ao fim de 2024 e que irá correr pela Ferrari em 2025. Isso literalmente caiu como uma bomba no mercado de pilotos da F1, pois qualquer um quer ser piloto da Mercedes em 2025, pois qual equipe tem tamanha estrutura e capacidade como eles? Respondendo, são poucas. Com isso Sainz se viu de aviso prévio e tem que lutar esse ano para conseguir uma vaga na Mercedes ou em outro time, e a pressão sob Leclerc vai aumentar muito, pois Hamilton não tem nada a provar em Maranello, já o monegasco…
Por fim, não posso deixar de falar sobre a outra bomba atômica que está causando e causará diversos efeitos colaterais na F1, principalmente na Red Bull. Você não leu errado, a equipe austríaca está no olho de uma tormenta gigantesca. Desde o falecimento do fundador da Red Bull (dos energéticos) Dietrich Mateschitz, há claramente uma disputa de poder entre Helmut Marko e Christian Horner, até então parecia uma briga corporativa para saber quem ia puxar o tapete de quem e quem ficaria de pé no fim.
Porém, neste início de ano surgiu uma denúncia de assédio por parte de uma das funcionárias contra Horner, que gerou uma investigação interna dentro da Red Bull, envolvendo a matriz de energéticos, pois é uma denúncia grave. O inusitado é quem começou a inflar e soltar isso com bastante ênfase e alegadas provas (até então) foi um jornal holandês. Após esse assunto tomar conta da mídia começou-se uma pressão também por parte de Jos Verstappen, pai de Max. Antes do GP que iniciaria a temporada, Horner foi absolvido das acusações, mas há muito ruído e boatos no entorno disso, não se sabe ao certo se houve algum acordo ou não.
Mas o saldo após o GP do Bahrein sobre essa disputa interna é que, Jos Verstappen praticamente declarou guerra contra Horner, e esse assunto vai render muito ainda esse ano. Sobre a acusação, pessoalmente acredito que se de fato houver algo (falo isso pois sabemos pouco sobre o que realmente aconteceu), Horner deve ser punido com todo o rigor. Porém, acho que há muito mais coisa debaixo desse tapete e nos resta esperar para ver como essa guerra de trincheiras irá se desenrolar. Uma coisa posso garantir a vocês, ninguém ali é santo, nem Horner, nem Marko e muito menos Jos Verstappen. Ah… Já ia me esquecendo, a próxima corrida é dia 09 de Março, no Sábado, as 14hs.
Paulo Campaneli é Analista de Sistemas, piloto de kart e de Fórmula Vee, apaixonado por automobilismo e carros, entrou no mundo do esporte a motor em 2017, representando Guarulhos na modalidade e participa das etapas na Fórmula Vee no Campeonato Paulista, Copa ECPA, e kartismo amador.

