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Coluna aberta: Sexualidade na gestação e puerpério

Foto: Divulgação

Começo já dizendo que sexo e sexualidade, são temas diferentes que precisam ser tratados de maneira distintas para que possamos compreender adequadamente.

O sexo é a relação sexual, o ato em si. Já a sexualidade é algo mais amplo, o sexo faz parte da sexualidade, a sexualidade engloba outros elementos, tais como, prazer, afetividade, carinho, a imagem que a pessoa tem inclusive do próprio corpo, comunicação verbal e não verbal (olhar, sorriso…), gênero, identicidade sexual, identidade de gênero e orientação sexual.

Durante a gestação e puerpério, como já sabemos, as mulheres passam por transformações e impactos biopsicossociais intensos e isso afeta na maneira como se vê, como sente e qual significado dá as coisas. Se faz necessário observar e respeitar a sua subjetividade, afinal cada pessoa é movida por questões singulares.

Alguns casais tentem a diminuírem as relações sexuais no período gestacional por medo, e falta de informação sobre o tema. Alguns tem a fantasia de que o bebê será machucado pelo pênis, outros de que aquela mulher agora é “santificada” por estar gestando, ou por questões de gestação de risco e orientação médica.  Já outros casais, aumentam a libido e tem relações enquanto conseguem durante a gestação, a busca de informações caso tenham dúvidas nesse período, é primordial para que possam usufruir de uma melhor intimidade e entrega.

Já no puerpério, além da carga hormonal decorrente da saída da placenta e da amamentação, outros fatores contribuem para o desinteresse sexual, por exemplo, você sabia, que nós somos a espécie de mamíferos mais frágeis ao nascer, por isso chamamos os primeiros três meses de vida do bebê de exterogestação. O esperado é que o bebê nasça com nove meses, porém cientificamente o correto seria que nascêssemos de doze meses, portanto, todos nascemos prematuros, não poderíamos nascer de doze meses pois a nossa caixa craniana não passaria pelo espaço da bacia da mulher. Durante esses três meses a relação dessa mãe e desse bebê é quase de simbiose, uma extensão do bebê, e isso impacta sobre as necessidades dela, sexo não é um pensamento que dê importância nesse período, pois entende que precisa atender as necessidades daquele novo ser.

É comum, que pós esse período dos três primeiros meses, o casal retome o ritmo da sua vida sexual, algumas pesquisas apontam que a grande parte dos casais retomam de fato após seis meses do parto, mas ainda apresentam dificuldades de acordo com cada realidade,  cansaço decorrente dos cuidados do bebê, casa, ruído sobre divisões de tarefas, tempo para lazer que gera disputa ou impressão de que a vida só “mudou” para um dos lados,  a ponto de impactar o interesse sexual daquela mulher, ela sente vontade, porém não com o próprio parceiro, por sentir-se sobrecarregada e invisibilizada

Por isso, é tão importante prestar atenção ao cenário dessa mulher e desse casal, e identificar o que é sexo para cada um e como é tratada a sexualidade de cada um? Lembrando que a saúde sexual pode ser melhor trabalhada e acontecer de maneira saudável, através de todos aqueles tópicos que compõem a sexualidade. Esse casal usufrui do diálogo? Se olham? Se ouvem? Se tocam? Se beijam? A saúde sexual acontece antes do sexo.

Cada pessoa é um mundo particular, e é sobre esse mundo que nós precisamos ter disponibilidade e interesse, para então nos acolher e compreender nossas reações diante do ambiente, sem tanta cobrança. 

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.
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