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Coluna Aberta: Síndrome Hellp na gestação

Foto: Divulgação

Já parou para pensar que as complicações apresentadas durante a gestação, quando investigadas, tem relação com a ansiedade e estresse que essa gestante é exposta?

Hoje, continuando com meu propósito em trazer informações e alimentar cada vez mais o protagonismo da gestante em um dos momentos de maior vulnerabilidade emocional, venho discutir sobre uma das síndromes mais graves que podem acontecer durante o período gestacional, com consequência, em alguns casos do óbito mãe e bebê.

Síndrome HELLP, é um diagnóstico relativamente novo, desde 1982, que foi descoberta na medicina, é considerada rara, e em sua grande maioria ocorre na primeira gestação, para mulheres que já tiveram a síndrome, apresentam maiores chances de ter o diagnostico em uma próxima gestação. Essa síndrome acomete gestantes com pressão alta (não é regra, porém é considerado hoje um dos principais fatores), na síndrome existem alterações metabólicas laboratoriais que podem levar a falência hepática e falência renal, exigindo tratamento rápido e por vezes, interrupção da gravidez antes do tempo ideal. Abaixo descrevo o significado da sigla HELLP:

Hemolisis – Destruição de hemácias

ELevated liver – Aumento das enzimas hepáticas

Low Platelets – Baixas plaquetas

É caracterizada por destruição de células, disfunção múltiplas de órgãos e se faz necessário um diagnóstico antecipado com a realização de exames específicos: (LDH, bilirrubinas, TGO, hemograma completo) 

Algumas pacientes podem apresentar dores mais agudas no abdômen na altura do fígado e vesícula, hipertensão, e associado com alterações na urina, náuseas, dores de cabeça recorrentes, vômitos e icterícia. Mas não é regra ela apresentar esses sintomas, por isso, o mais indicado é estar atenta a sinais do corpo, como dores agudas, desconfortos, acompanhar a pressão e estar com pré-natal e exames em dia.

Quando diagnosticada, o indicado é que se interrompa a gravidez que em sua grande maioria estão entre 27 e 34 semanas. Antes disso, o risco do óbito do bebê aumenta pela prematuridade e baixo peso, portanto, o que é indicado diante de estudos atuais sobre o tema, é que os médicos mantenham a gestação até ao máximo de 34 semanas, sendo seguro claro, para essa mãe.

Uma outra característica que também influencia o emocional dessa mãe, é que como essa gestante apresenta baixa de plaquetas, se faz necessário realizar o procedimento cesárea, com anestesia geral e extremamente rápido para que o bebê não seja impactado com o anestésico, e a partir daí já imaginamos os possíveis traumas emocionais para essa mãe e para o bebê. Alguns relatos trazem sentimentos de perda, pois não veem o nascimento do filho, e em alguns casos o filho vai para UTI NEO por prematuridade e baixo peso, onde essa mãe não tem autonomia com os seus cuidados, ou até mesmo, casos em que essa mãe é encaminhada pós procedimento cesárea para UTI, onde será acompanhado o aumento de plaquetas, recuperação do funcionamento renal e melhora do quadro clinico em geral, como resultado alguns bebê saem do hospital antes dessa mãe e não tem a construção de vínculo e com impactos na amamentação por exemplo.

O quanto que a dor dessa mãe é ouvida por trás do agradecimento em estar com vida e o filho também?  Uma coisa não deslegitima a outra.

Na Síndrome de Hellp, o corpo entende que o bebe é um corpo estranho e ele precisa sair, o corpo rejeita a placenta, e começa a dar falência interna, mas, depois que o bebe nasce o corpo dessa mãe tende a apresentar melhora constante, nesse caso é comum que o bebê esteja se desenvolvendo bem, mas se a gestante apresentar piora, o bebê também será impactado, lembrando que cada caso é um caso.

Vale ressaltar, que algumas gestantes diagnosticam a Síndrome Hellp com poucas semanas de gestação, o que dificulta a sobrevivência do bebê, por isso, a abordagem a essa mãe deve ser de muito cuidado, acolhimento e compreensão sobre essa dor. Nesses casos, a gestante, por vezes é orientada a tomar um remédio para expelir o feto e dependendo das crenças, do cenário dessa mulher, da rede de apoio, da história, a resposta é diferente e pode ocasionar outras complicações. Também por isso, precisamos estar atentos aos sinais e reações, e como rede de apoio a essa mulher exercermos um olhar acolhedor e espaço de permissão sobre o sentir dela.

Entender que é um milagre para casos em que os dois (mãe e bebê) passam por esse caos, e sobrevivem é um direito seu, mas jamais poderá anular a necessidade de acolhimento sobre a sensação de vazio e perda dessa mãe.

Saúde Mental Materna IMPORTA, olhar para isso é olhar também para o começo da vida e para o amanhã.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Coaching – Autoperformance Feminina | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

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