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sáb, 02 jul 2022
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Coluna Aberta: Maternidade e seus julgamentos

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Inicio esse papo com vocês, convidando-os a refletir quantas vezes você, que é mãe, se sentiu julgada e sentenciada desde o início de sua maternidade? E você, que exerce ou não esse papel, já observou quantas vezes julgou uma mãe?

Alguns acreditam que essa mulher apenas estará sujeita aos julgamentos externos depois que parir, mas, na realidade a partir do momento em que se anuncia uma gestação, pronto, começam os olhares mais críticos e rígidos sob ela, de modo a colocá-la em um lugar do “não saber” em relação a uma maternagem julgada como “correta”.

Divido com vocês julgamentos, pintados de “comentários inofensivos ou preocupação” que as mães estão cansadas de ouvir e se sentirem constantemente desvalidadas e incapazes diante do papel que exercem:

  • “Nossa, você já deu chupeta?”;
  • “Como assim você não amamentou?”;
  • “Melhor mesmo é dar mamadeira desde cedo”;
  • “Você fez o pré natal mesmo?”;
  • “Não acredito que você desistiu da sua carreira para ficar só com seus filhos. Vai se arrepender”;
  • “Você só trabalha e fica tão pouco tempo com seus filhos, nem deve saber o que acontece com eles!”;
  • “Frescura não dá doce!”;
  • “Não é certo deixar seu filho com os avôs para você ir na festa!”;
  • “Você dá muito colo para esse bebê!”;
  • “Por que na minha época não se criava assim não!”;
  • “Você não tem paciência com seus filhos!” ;
  • “Você é permissiva demais com seus filhos!”;
  • “O melhor é o parto normal! “ Vixi você fez cesária?!” Entre tantos outros.

Ao sair da maternidade, as mães, levam além do seu bebê, de maneira simbólica uma malinha chamada “culpa materna”, um peso que as mesmas se colocam diante da incumbencia de suprir todas as necessidades daquele pequeno e indefeso novo ser, porém, elas não têm uma consciência imediata de que elas também se tornam um novo ser, com demandas emocionais distintas das quais já conheciam, por isso, todo carinho e acolhimento é pouco a elas nesse momento, precisam de apoio, de presença e de reconhecimento. E o que encontram quando olham para sociedade? Vários dedos apontados e olhares criteriosos sobre o seu desempenho materno.

Observem o quanto tem contribuído para que essa mãe se sinta mais vulnerável e frágil diante dos seus posicionamentos e como pode reaver trazendo a ela a visibilidade que precisa para que assim possa exercer a maternidade de maneira respeitosa com as singularidades e subjetividades dela. Ter uma rede de apoio considerada saudável, não é a que desmerece aquela mãe, e sim aquela que a consegue enxergar em suas reais e gritantes necessidades emocionais, muitas vezes ditas no silêncio, no choro, ou em um pedido de ajuda.

Para algumas pessoas é desafiador entender que é o melhor que aquela mãe pode dar naquele momento para seus filhos, e para essas pessoas eu digo, olhe para suas feridas, se dêem atenção, pois quando aponta de maneira julgadora essa mãe, está falando sobre sua própria dor, que por vezes, não busca se conectar para lidar.

Como podemos impactar de maneira benéfica o nosso amanhã se não estamos cuidando de quem o fará parte? A construção de um novo SER depende de todos nós e o apoio a essa figura materna de essencial importância é fundamental, para uma saúde psíquica saudável desse feto, bebê, criança e futuro adulto.

A maternidade não precisa de julgamentos, e sim, de mais acolhimento e apoio!

Façamos nossa parte! 

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental

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