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sáb, 02 jul 2022
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Coluna Aberta: O Direito do “Não Gerar”

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É comum que quando uma mulher está em um relacionamento a algum tempo, ou alcança determinada idade, algumas pessoas começam a questionar, “Quando vai engravidar?” “Já está na idade, cuidado com o relógio biológico hein!” “Você quer ser avó do seu filho?”, entre outros questionamentos e afirmações, não parando para ouvir o que aquela mulher de fato deseja ou pensa sobre o assunto, até porque quando escutam que ela não quer engravidar, reagem de maneira negativa e traduzindo a fala dessa mulher como egoísmo, dizendo algumas vezes, que a função da mulher é parir e cuidar dos seus filhos, não querer isso é uma afronta.

Vamos parar um minuto e nos olharmos, nossas escolhas, nossa vida, nossos filhos, e nossos pais ou cuidadores… Agora pare um pouco para observar ao redor, e visualizar a realidade de uma boa parte da nossa sociedade materna, muitas delas em distintas gerações, não queriam gerar, não tinham o desejo nem a vontade de gestar ou até mesmo exercer a maternidade. Porém não foram ouvidas ou foram alimentadas desde do principio da sua vida a acreditar que essa era uma incumbência sobre ser mulher.

Muitos lares são compostos de mulheres que parem seus filhos, para satisfação do outro, ou seja, para atender uma expectativa ou um padrão de comportamento diante do cenário social que vive. Como resultado temos questões psíquicas graves, por exemplo, casos de negligência com o bebê, falta de cuidados decorrente de um quadro de depressão pós parto, um comportamento de excesso de preocupação sobre como responder a esse papel materno causando distanciamento de si mesma, isolamento social, embotamento afetivo diante de situações em relação aos filhos, entre outras.

Ressalto aqui mulheres que sofrem de tocofobia (medo excessivo de gravidez e do parto). Um diagnóstico sério relacionado a saúde psíquica da mulher, que por vezes não é visto ou aceito.

No Brasil existe a Lei 9.263, de 1996, mais conhecida como Lei do Planejamento Familiar, que apresenta a mulheres que buscam por laqueaduras (cirurgia de esterilização definitiva), a possibilidade de serem orientadas sobre o tema por equipes multidisciplinares, é indicado por lei que a mulher seja maior de 25 anos ou tenha pelo menos dois filhos biológicos vivos e ter o consentimento do marido (caso seja casada). É uma cirurgia não vista com bons olhos por parte de alguns profissionais da saúde, como também por uma grande parte da sociedade, por apresentar algumas questões hormonais, riscos para essa mulher, além de questões religiosas e de carater pessoal, por isso encontram dificuldades em serem atendidas quando buscam por essa opção, principalmente quando se trata de uma mulher ainda jovem.

Uma atenção sobre o ínicio da vida e as demandas de um novo ser, sabemos o quanto é importante e essencial a troca e construçâo de vínculo saudável com o papel materno nos dois primeiros anos de vida do bebê, contribuindo para seu desenvolvimento cognitivo, emocional e físico. Como uma mãe que se sente na obrigação e tem dores emocionais ao exercer esse papel, poderá de maneira genuína, se doar a essa relação de forma benéfica a ambos?

Quando se deparar com uma mulher que não apresenta desejo sobre a gestação, não foque em julgar de acordo como você significa a vida, e sim sobre as necessidades e significados que ela apresenta. Afinal somos indivíduos singulares, com motivações diferentes e uma construção de vida distinta.

Já você mulher, que não se identifica com gestar, parir e maternar, busque por atendimentos de Planejamento Familiar, é uma boa direção, pois assim compreenderá várias possibilidades de se posicionar diante da maternidade imposta socialmente a você, prestando cuidados com sua saúde biopsicosocial.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca constante aprimorame nto em Saúde Mental

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