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dom, 26 jun 2022
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Coluna aberta: O Medo Materno

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As mães apresentam muitos medos, um deles é sobre onde estarão incluindo seus filhos, em uma sociedade ainda perigosa, machista, homofóbica, racista, sem oportunidades e com tanta desigualdade, mas um medo em especial tem um grande destaque: Medo de partir, de não estar mais aqui para ser o abraço que acolhe, o carinho que acalma, não ajeitar as roupas ou a lancheira para o dia seguinte na escola, não acalentar o choro por um machucado ou chateação, medo de não acompanhar e viver descobertas ao longo do desenvolvimento de sua prole e deixar de ser seu porto seguro. Sim, sabemos que não somos eternos, mas identificamos que a finitude incomoda mais quando outra pessoa depende de você., quase um medo generalizado entre as mães.

Nossa cultura tanto socialmente quanto em algumas religiões, não abordam o tema de maneira clara, sabemos apenas sobre uma ausência, e qual seria o resultado dessa ausência para um indivíduo dependente física e emocionalmente dessa mãe? Por exemplo, mãe de bebês e crianças, onde sabemos o quão é importante para um desenvolvimento saudável biopsicossocial desse indivíduo a presença e vínculo com essa mãe.

E de repente, mães que são entregues à maternidade e são diagnosticadas com um quadro em sua saúde com poucas ou nenhuma possibilidade?  Como lidar?

Essas mães tem espaço para expor o que sentem ou o que precisam naquele momento? Ou não, ela se preocupa em exercer o papel e carregar um peso social de manter-se forte frente as dores, afinal ela precisa atender a expectativa do papel materno como um rótulo de prover cuidados ao outro e não a si mesma.

O quanto essas mães são vistas além do que exercem ou além do que sua expectativa espera delas? O quanto são vistas além do diagnóstico? A dor delas é colocada em pauta ou a dor da perda delas toma maior espaço e atenção?

Oferecer apoio para que essa jornada não seja tão pesada é o nosso papel como Sociedade, afinal as crianças são parte do nosso amanhã e todos nós somos responsáveis por elas. Além disso, não escutar essa mãe e depositar nela a incumbência “camuflada” do não sentir, e achar que irá entristecê-la falando sobre, é contribuir para silenciá-la em sua dor e alimentar probabilidades maiores de casos psíquicos, como depressão maior, entre outros. 

Quantas mães querem falar de seus medos, mas não encontram ouvintes dispostos a enxergá-la como alguém que também precisa de cuidados. Portanto, primeiro, desmistifique a imagem de mãe como uma fortaleza, essa imagem romantizada tira dessa mulher a possibilidade de parar, descansar, sentir, chorar e ser frágil.

Ter atenção à saúde mental materna impactam o nosso futuro. O que tem feito em relação a elas, pelo nosso amanhã?

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental

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