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qui, 11 ago 2022
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Coluna aberta: Os desafios de ser uma Mãe Solo

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A maternidade por si só, em diversos cenários é um grande desafio, mas quero chamar a atenção para os desafios da mãe solo. Daquela mulher, que vivencia a maternidade sem um parceiro e uma rede de apoio estruturada, seja por qual motivo for.

Mães solos, são aquelas que são as únicas que se responsabilizam pela criação, gastos financeiros e estrutura emocional do filho, estando ou não casadas com o pai dessa criança, além daquelas mães que optam por algum método de inseminação, conhecida também como produção independente, assumindo esse papel de maneira consciente.

Essas mães sofrem cobranças e julgamentos sociais desde que se tornam mães, e para a sociedade precisam responder determinadas expectativas, e então quando essa mãe que se apresenta como mãe solo, ainda é vítima de comentários nocivos, olhares incomodados ou resistências por julgamentos diversos.

Essa mulher passa muitas vezes pela vivência do abandono durante a gestação, impactando em alguns casos o vínculo e aceitação desse estado por ela. Sente medo, vergonha, solidão e por vezes, sente vontade de ser invisível assim como sua dor é para a maioria das pessoas, que a observam sozinha nas consultas do pré-natal, no parto, ou em eventos familiares ou sociais. Sentir o peso da maternidade em tomadas de decisões sozinha, que podem mudar o percurso da vida de um novo ser e ainda receber críticas ou indagações sem sentido.

Então essa mulher com todas as transformações biopsicossociais que a gestação e puerpério trazem, ainda se depara com comentários do tipo: “Ele não tem pai? Nosso tadinho” “’Mas ele paga pensão, né?” “Não tem nenhuma chance de voltar? Pelo menos pelo filho.” “Não tem medo de acontecer algo com o filho sem referência paterna?” “Você não pensa em namorar e arrumar um pai novo para seu filho”, “Você não tem tempo pra nada, né. Guerreira você!” entre outros.

Guerreira não! Ela é uma mulher exausta, um ser humano com dores emocionais, traumas, sentimentos, dúvidas, inseguranças e muito do que ela precisa é de ajuda. Muitas vezes não tem uma rede de apoio perto, ou até tem, mas não pede ajuda ou não aceita ajuda por achar que será menos mãe se o fizer, e esse pensamento sofre influência do que aprendemos na sociedade, com a romantização dessa mulher que compõe a maternidade solo.

Elas não são guerreiras, são mulheres. A sociedade usa esse termo muitas vezes para invisibilizar a dor delas e a responsabilidade social sobre isso.

Tanto essa mãe, quanto esse filho, ainda sofrem preconceito, da família, colegas, algumas instituições, mercado de trabalho, como se para ser considerado alguém com estrutura aceitável tem que estar casada, como se a maternidade fosse sinônimo de estado civil. Além da cobrança social, essa mulher se cobra a exercer o papel da figura paterna para essa criança, algumas se intitulam como “pãe”, porém é importante ressaltar que essa mulher não substituirá o papel do pai nesse cenário, até por que ela precisa ser a mãe, e isso toma um espaço gigantesco sobre sua entrega.

É comum que mães que passaram por casos de abandono e abuso de diversos aspectos dentro do relacionamento apresentem algum transtorno psicológico decorrente desse cenário, transtornos como depressão na gestação e pós parto, ansiedade maior, resultando inclusive a pensamentos suicidas. Não podemos esquecer do impacto disso tudo no vínculo dessa mãe com seu filho e o desenvolvimento do mesmo.

Ei mãe solo! Seu amor é o que o seu filho precisa agora, foque naquilo que vocês têm juntos e não no que julga faltar. Se ocupe em acolher esse vínculo e, se possível, conte com sua rede de apoio, afinal você também precisa cuidar de si, antes de querer ser bom ao outro, precisa ser boa para si mesma primeiro.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

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