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qua, 17 ago 2022
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Coluna aberta: Tentantes – A dor da espera

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E então, no banheiro, ao tomar banho sozinha, em meio a lágrimas que escorrem em seu rosto e se confundem com a água do chuveiro, ela se pergunta: “Onde estou errando?” “O que tem de errado comigo?”.  Uma angústia silenciosa, que grita dentro dessa mulher, nesse momento o parceiro (a), é essencial para o apoio emocional, mas também precisa de cuidados e escuta, dando lugar e legitimando os sentimentos diante da dor dos negativos, dos tentantes.

Medo, ansiedade, sensações de vazio, culpa, solidão e desvalia, são alguns dos sentimentos que acometem essa mulher nesse período tão delicado, vivenciado por aquelas que tentam engravidar

Algumas pessoas entendem que como usamos artifícios para prevenir uma gestação não desejada, da mesma forma e “facilidade”, podemos ter controle sobre engravidar, mas não podemos, é uma falsa sensação de controle sobre a vida. Esse pensamento tem influência, também, da expectativa do papel dessa mulher na sociedade, como se ser mãe gerando um bebê, fosse um papel obrigatório desse indivíduo, para então ser completa em sua “função” de existência.

Essa cobrança existencial, alimenta nessa mulher um peso de ser, ao invés da permissão de sentir quem é e o que realmente quer. Uma trajetória desafiadora, onde algumas dessas mulheres que decidem iniciar o caminho como tentantes, escolhem não dividir com outras pessoas, até mesmo da família, pois lidar com suas próprias expectativas já é visto como um grande desafio, e lidar com as expectativas dos outros além das suas, é doloroso e cansativo.

Já outras entendem que contando para as pessoas próximas, se sentirão mais fortes na caminhada, cada uma deve agir da forma que se sentir melhor, e para aquelas pessoas que estão próximas a essa tentante. Entenda que existem comentários desnecessários e que desrespeitam a subjetividade daquela mulher, por exemplo: “Talvez não está dando certo por que você não está relaxando o suficiente”, “Mas ainda não deu certo?!”,  “De repente não é para você ser mãe mesmo”, “ Coloca as pernas para cima que minha colega fez e engravidou na hora”, “Vai engravidar quando Deus quiser”, “Conhecerá o amor de verdade só quando for mãe!”, entre tantos outros comentários que geram uma dor imensa, além de colocá-la em um lugar de inferioridade em meio a outras mulheres.

Lembrem, que estão diante de uma história com alguns “nãos”, não compreendidos, que resultam muitas vezes em uma revolta diante da sua fé, frustrações, solidão, desesperança e lamentações. Uma trajetória que pode contar com desgaste emocional, psicológico (a incapacidade de gerar – diagnósticos negativos, perdas gestacionais ou infertilidade, doem na alma dessa mulher), financeiro (se estamos falando de tratamentos particulares como: indução da ovulação, embriões ou gametas doados, inseminação artificial, fertilização in vitro ou até mesmo sociais, pois haveriam gastos com remédios), esse casal possivelmente está imergindo por questões não respondidas da maneira que querem, e isso também precisa de um lugar de escuta e acolhimento e não julgamentos diante de experiências particulares. Cada um vivencia a seu modo uma situação. Não tem receita pronta.  

É possível exercer a maternidade, sem que o bebê seja gerado em sua barriga, e essa tentante sabe disso, mas é imprescindível que além de sabermos as outras formas de exercer a maternidade, como por exemplo, a adoção, o desejo dela precisa ser respeitado e a trajetória acolhida.

Tentantes, olhem para seu cenário, respeitem sua história, seu corpo, seus passos, acolha o que sente, respire fundo e sinta-se. Se eu puder sugerir algo nesse momento, sugiro que busque grupos com outras tentantes, não para comparar histórias, mas, para que possa se sentir acolhida e melhor compreendida em suas questões, procure apoio profissional também, para que possa organizar suas emoções em um momento que é tão necessário.

Cada corpo é um corpo e cada história é uma história, e precisa ser levada em conta.

A sua história é única, seja gentil consigo mesma.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

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