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Comércio Cresce 0,5% em Março Impulsionado por Queda do Dólar, Atingindo Novo Recorde

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O comércio varejista brasileiro registrou um crescimento de 0,5% na passagem de fevereiro para março, impulsionado principalmente pela desvalorização do dólar frente ao real. Divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados da Pesquisa Mensal de Comércio revelam que o setor atingiu seu maior patamar histórico, marcando a terceira alta consecutiva.

Desempenho Recorde e Análise do Cenário Econômico

A análise do cenário econômico recente aponta para uma trajetória de expansão consistente. Além do avanço mensal de 0,5%, o comércio registrou um expressivo crescimento de 4% na comparação com março do ano anterior, sinalizando uma recuperação robusta do poder de compra e da confiança dos consumidores. No acumulado dos últimos doze meses, o setor ainda mostra uma expansão de 1,8%, consolidando a tendência positiva.

Cristiano Santos, analista da pesquisa do IBGE, destaca que o setor varejista exibe uma notável tendência de alta desde outubro de 2023, um movimento que não foi significativamente abalado pelo recuo pontual observado em dezembro. Este panorama positivo se alinha com outros indicadores macroeconômicos, tais como o acesso ao crédito e o crescimento do emprego, que frequentemente explicam o patamar recorde nas vendas.

O Papel da Queda do Dólar no Impulso das Vendas

Um fator crucial para esse desempenho ascendente foi a desvalorização do dólar. A moeda americana, que em março apresentava um valor médio de R$ 5,23, registrou queda em relação aos R$ 5,75 observados no mesmo período do ano anterior. Consequentemente, produtos importados tornaram-se mais acessíveis, estimulando diretamente as vendas em diversas categorias do comércio.

Santos enfatiza que a estratégia de empresas para aproveitar a redução do dólar inclui a composição de estoques com custos mais baixos. Posteriormente, em momentos oportunos, essas empresas realizam promoções, especialmente em segmentos como equipamentos de informática, que mantêm uma ligação intrínseca com a cotação da moeda estrangeira. Março foi um mês particularmente favorável para tais ações promocionais.

Detalhes por Segmento: Destaques e Recuos

A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE analisou oito grupos de atividades, revelando um comportamento heterogêneo entre eles. Desses, cinco segmentos registraram alta na comparação mensal, demonstrando a diversidade de fatores que influenciam o consumo no país. No entanto, outros setores enfrentaram desafios, refletindo a complexidade do cenário econômico.

Crescimento Notável em Tecnologia e Combustíveis

Entre as categorias que apresentaram avanço, destaca-se o setor de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com um salto de 5,7%. Esse crescimento é diretamente atribuído à queda do dólar, que barateou a importação de componentes e produtos finais. Além disso, o segmento de combustíveis e lubrificantes também registrou uma alta significativa de 2,9%.

O analista Cristiano Santos explica que, mesmo diante do aumento nos preços dos combustíveis, provocado pela situação no Oriente Médio, a demanda por esses produtos permaneceu robusta, impulsionando o volume de vendas. Por conseguinte, o aumento de preços contribuiu para que as receitas dessa atividade crescessem 11,4% apenas no mês de março, evidenciando a inelasticidade da demanda nesse setor essencial.

Outros segmentos que contribuíram para o resultado positivo foram ‘Outros artigos de uso pessoal e doméstico’, com avanço de 2,9%, ‘Livros, jornais, revistas e papelaria’, com 0,7%, e ‘Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria’, que subiu 0,1%. Essa diversidade de crescimento sugere um consumo mais distribuído em algumas áreas, enquanto outras enfrentam pressões.

Desafios e Flutuações em Setores Chave

Em contrapartida, nem todos os setores acompanharam a tendência de alta. O segmento de ‘Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo’, que representa mais da metade do comércio total, registrou um recuo de 1,4%. Santos atribui essa queda à influência da inflação, que desestimulou o consumo de itens essenciais no período.

Apesar do resultado negativo em março, o analista pondera que este não deve ser interpretado como uma inversão de tendência para os supermercados. A atividade já havia apresentado crescimento de 0,3% em janeiro e 1,4% em fevereiro, indicando flutuações sazonais ou pontuais que não apagam a trajetória geral de expansão do setor. Ademais, ‘Móveis e eletrodomésticos’ teve queda de -0,9%, enquanto ‘Tecidos, vestuário e calçados’ ficou estável em 0%.

Panorama do Comércio Varejista Ampliado

Considerando o comércio varejista ampliado, que engloba atividades adicionais como veículos, motos, partes e peças, material de construção, e produtos alimentícios no atacado, o indicador também mostrou resiliência. Entre fevereiro e março, esse setor expandiu 0,3%, corroborando a visão de um mercado em recuperação. Nos últimos doze meses, a expansão acumulada é de 0,2%, reforçando a estabilidade e o crescimento gradual.

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