Neste sábado, 13 de agosto, a Seleção Brasileira inicia sua jornada na Copa do Mundo em Nova Jersey, enfrentando Marrocos às 19h (horário de Brasília) no MetLife Stadium. A partida marca o debute do Brasil no Grupo C, após um dos ciclos de preparação mais conturbados da história recente da equipe, gerando grande expectativa sobre o desempenho sob o comando do técnico Carlo Ancelotti.
A Complexa Estreia contra Marrocos
A seleção brasileira busca manter sua invencibilidade histórica em estreias de Copa do Mundo, ostentando um registro de 17 vitórias e três empates desde a derrota de 1934 para a Espanha na Itália. No Mundial anterior, no Catar, a equipe superou a Sérvia por 2 a 0, evidenciando a força tradicional do Brasil em seus primeiros confrontos. Esta tradição é um alicerce para o otimismo inicial.
Contudo, o adversário desta edição se apresenta como um dos mais desafiadores em uma primeira rodada. A seleção marroquina, semifinalista surpreendente do Mundial do Catar, figura na sétima posição do ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA), apenas uma abaixo do Brasil. Adicionalmente, no último encontro entre as equipes, em março de 2023, os “Leões do Atlas” venceram por 2 a 1 em Tanger, com gols de Sofiane Boufal e Abdelhamid Sabiri, enquanto Casemiro descontou para os brasileiros, o que aumenta a complexidade do desafio.
O Ciclo Tumultuado da Seleção Brasileira
O resultado adverso contra Marrocos em 2023 marcou o início de um dos períodos mais turbulentos de preparação da Seleção para uma Copa do Mundo. Desde então, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) navegou por incertezas e mudanças constantes na liderança técnica, impactando a estabilidade e a coesão da equipe nacional em momentos cruciais da formação.
A Transição Conturbada no Comando Técnico
A busca por um novo treinador culminou com a nomeação de Ramon Menezes, então técnico da seleção sub-20, para comandar amistosos enquanto se aguardava a possível chegada de Carlo Ancelotti. A expectativa pela liberação do técnico italiano do Real Madrid em meados de 2024 moldou as decisões da entidade, que optou por Fernando Diniz, recém-campeão da Libertadores pelo Fluminense, como uma espécie de “interino” para gerir a transição.
A passagem de Fernando Diniz foi, porém, breve e desafiadora, durando apenas seis jogos. Uma sequência de três derrotas consecutivas nas eliminatórias para a Copa do Mundo, somada à renovação de Ancelotti com o Real Madrid, levou a CBF a demiti-lo. Imediatamente, Dorival Júnior, que havia conquistado a Copa do Brasil pelo São Paulo em 2023, foi escolhido com a intenção de ser o comandante definitivo para o Mundial de 2026.
Entretanto, o trabalho de Dorival à frente da “Amarelinha” também foi curto, encerrando-se em março do ano seguinte, após uma goleada de 4 a 1 sofrida para a Argentina pelas eliminatórias, em Buenos Aires. Nesse cenário de instabilidade, Carlo Ancelotti recuperou força nos planos da CBF e foi oficialmente confirmado como técnico do Brasil em 26 de maio de 2025.
Ancelotti: Confirmação em Meio à Crise e Classificação Histórica
A contratação de Ancelotti foi anunciada por Ednaldo Rodrigues, mas o técnico italiano foi recebido por Samir Xaud, novo presidente após o afastamento de Ednaldo, em um contexto de intensa turbulência nos bastidores eleitorais da CBF. Apesar de todo o cenário adverso, sob o comando de Ancelotti, o Brasil assegurou sua classificação à Copa do Mundo, mesmo com a quinta posição nas eliminatórias, a pior campanha da história da seleção.
Diante dos desafios superados e da necessidade de continuidade, o vínculo do italiano foi prontamente renovado até o Mundial de 2030, consolidando-o como a figura central na reconstrução e planejamento de longo prazo da equipe nacional. A esperança é que essa estabilidade recente se traduza em desempenho em campo.
Dúvidas na Escalalção e o Desafio Tático
Apesar da turbulência no comando técnico, sete jogadores que estiveram em campo na derrota para Marrocos em 2023 foram convocados por Ancelotti para esta Copa, incluindo os goleiros Weverton e Ederson, os zagueiros Ibañez e Bremer, o volante Casemiro, o meia Lucas Paquetá e o atacante Vinícius Júnior. Nomes importantes como Eder Militão e Rodrygo, contudo, foram cortados por lesão, alterando os planos iniciais do treinador e exigindo novas adaptações.
A expectativa é que Casemiro, Lucas Paquetá e Vinícius Júnior iniciem a partida contra Marrocos, formando um esqueleto conhecido da equipe. A grande incógnita na escalação, no entanto, reside nas laterais da defesa; Ibañez é uma opção para a direita, disputando posição com Danilo, após o corte de Wesley. No lado esquerdo, a disputa é entre Alex Sandro e Douglas Santos, com Ancelotti mantendo sigilo sobre suas escolhas durante os treinamentos, adicionando um elemento de surpresa.
Uma provável escalação para a estreia indica Alisson no gol; Danilo (ou Ibañez), Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro (ou Douglas Santos) na linha defensiva; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá no meio-campo; e Raphinha, Matheus Cunha e Vinícius Júnior no ataque. Estas escolhas refletem as adaptações e as incertezas que marcaram o ciclo preparatório, mas buscam um equilíbrio para o primeiro confronto.
A Força dos Leões do Atlas
Do lado marroquino, a equipe chega para a Copa do Mundo com a moral elevada após a campanha histórica no Catar e a vitória recente sobre o Brasil, fatores que impulsionam a confiança do elenco. Seis jogadores que participaram daquele triunfo em 2023 estão novamente presentes: o goleiro Yassine Bono e os laterais Achraf Hakimi e Noussair Mazraoui, entre outros, garantindo uma base experiente e entrosada.
O estilo de jogo de Marrocos é conhecido por sua organização defensiva, transições rápidas e a habilidade individual de seus jogadores, o que os tornou um adversário formidável no cenário mundial. Portanto, a seleção brasileira enfrentará um teste robusto logo na primeira rodada, exigindo atenção tática e desempenho impecável para superar o desafio imposto pelos “Leões do Atlas” e iniciar a campanha com o pé direito.

