Os recorrentes alagamentos em Guarulhos motivaram uma mobilização técnica de peso nesta semana. Dessa forma, equipes do Crea-SP, com suporte da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Guarulhos (ASSEAG), iniciaram uma série de vistorias para avaliar as causas do colapso hídrico na cidade. Nesse sentido, um dos pontos de maior atenção foi a Avenida Monteiro Lobato, na região central, onde a via ficou totalmente submersa e deixou moradores ilhados em situações de alto risco.
O veredito técnico: Falta manutenção e engenharia
Primeiramente, a fiscalização apurou que, embora o volume de chuva tenha sido alto, houve colapsos pontuais em locais que passam por intervenções da Sabesp. Além disso, o que mais chamou a atenção dos inspetores foram as falhas em pontos onde não existem obras em andamento. Consequentemente, o Crea-SP concluiu que há uma “ausência de engenharia” crônica na manutenção da drenagem das águas pluviais e dos cursos hídricos de Guarulhos.
Somado a isso, a verticalização acelerada e a ocupação de várzeas agravaram o problema de absorção do solo. Portanto, a prefeitura e os órgãos responsáveis enfrentam agora o desafio de justificar por que áreas históricas de inundação continuam sem projetos de infraestrutura eficientes. Dessa maneira, a fiscalização técnica serve como um “alerta vermelho” para a necessidade de investimentos estruturais urgentes.
🔍 Raio-X da Fiscalização (Crea-SP / ASSEAG)
- Foco da Ação: Apurar as circunstâncias das obras executadas pela Sabesp e as falhas na drenagem municipal.
- Principais Descobertas: Registro de colapsos estruturais tanto em áreas com obras quanto em locais sem intervenções recentes.
- Diagnóstico Crítico: Constatação de histórico de falta de manutenção nos cursos hídricos e ausência de técnicas de engenharia preventiva.
- Próximos Passos: Continuidade das diligências e envio de documentação para análise da Câmara Especializada de Engenharia Civil.
🎙️ Destaque da Especialista: A Urbanização Desordenada
“Perdemos os chamados ‘jardins de chuva’, responsáveis pela absorção da água. Onde tínhamos áreas verdes, hoje são extensões cimentadas e impermeabilizadas devido ao crescimento populacional e verticalização sem organização.” — Magda Berberich, presidente da ASSEAG.
Onde está a responsabilidade da Sabesp?
Por outro lado, as obras da Sabesp continuam sob acompanhamento rigoroso. Inclusive, o chefe de fiscalização do Crea-SP na região, Rubens Moraes, afirmou que todas as intervenções desenvolvidas pela empresa na cidade estão sendo documentadas. Afinal, o objetivo é garantir que as obras não estejam agravando o problema de escoamento da cidade.
Finalmente, o silêncio sobre a infraestrutura de drenagem parece estar com os dias contados diante da pressão técnica. Em suma, os alagamentos em Guarulhos deixaram de ser apenas uma questão de “muita chuva” para se tornar uma prova de falha na gestão urbana. A população agora aguarda os laudos oficiais que podem responsabilizar os órgãos negligentes.
Você mora perto da Monteiro Lobato ou de algum ponto onde as obras da Sabesp parecem nunca acabar? Acredita que a falta de jardins e áreas verdes é o principal culpado pelas enchentes no seu bairro? Participe do debate nos comentários!



