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Crise EUA Irã: Trump ameaça fechar Estreito de Ormuz após fracasso de negociações de paz

© Reuters/Jacquelyn Martin/Pool/Proibida reprodução

As delegações de Estados Unidos e Irã não conseguiram firmar um acordo de paz após 21 horas de intensas negociações realizadas em Islamabad, capital do Paquistão. O vice-presidente estadunidense, JD Vance, confirmou o impasse, informando que o lado iraniano rejeitou os termos propostos pelos EUA, culminando na imediata promessa do presidente Donald Trump de fechar o estratégico Estreito de Ormuz. Esta medida, anunciada após o fracasso diplomático, intensifica as tensões já elevadas entre as duas nações.

O Impasse das Negociações Nucleares

JD Vance, ao se manifestar à imprensa antes de retornar a Washington, ressaltou a exigência primordial dos EUA: um compromisso afirmativo de Teerã em não desenvolver armas nucleares e evitar o acesso a ferramentas que acelerem tal desenvolvimento. Este objetivo, segundo ele, é a prioridade máxima do presidente e foi o foco central das discussões em Islamabad. Contudo, a ausência de consenso evidenciou as profundas desconfianças mútuas.

O Irã, por sua vez, sempre defendeu seu direito a manter um programa nuclear para fins exclusivamente pacíficos, classificando as alegações estadunidenses como um pretexto para fomentar uma mudança de regime no país persa. Teerã consistentemente negou qualquer intenção de produzir uma bomba atômica. Além disso, o líder da delegação iraniana, Mohammad-Bagher Ghalibaf, expressou a boa vontade de seu país nas negociações.

Entretanto, Ghalibaf sublinhou a profunda desconfiança iraniana em relação aos EUA e Israel, citando experiências passadas de agressões. Em uma rede social, a liderança iraniana afirmou ter apresentado iniciativas promissoras, mas que o lado oposto falhou em conquistar a confiança de sua delegação nesta rodada de conversas. Consequentemente, o Irã afirmou que não cessará seus esforços para consolidar as conquistas obtidas em quarenta dias de defesa nacional.

Estreito de Ormuz: O Ponto de Tensão

A pauta do Estreito de Ormuz ganhou centralidade imediata após o colapso das negociações. Donald Trump, diante da recusa iraniana em abrir mão de suas supostas ambições nucleares, declarou que a Marinha dos Estados Unidos impedirá a passagem de embarcações pela crucial via marítima. Ademais, o chefe da Casa Branca instruiu a Marinha a buscar e interceptar navios em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã, alertando que ninguém que pague uma taxa ilegal terá passagem segura.

Mais grave ainda, Trump anunciou o início da destruição de minas que, segundo ele, foram instaladas pelos iranianos no Estreito. O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia, é a principal rota global para o comércio de petróleo, por onde transitam aproximadamente 20% da carga global. A região já havia sido fechada pelo Irã em resposta a agressões sofridas pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, um evento que precedeu a atual escalada.

Histórico e Futuro da Navegação

Anteriormente, Trump já havia ameaçado um genocídio contra o Irã caso o país não permitisse a passagem livre por Ormuz, até que uma trégua de duas semanas estabeleceu um frágil cessar-fogo. Contudo, o novo líder Supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, tem reiterado que a gestão do Estreito de Ormuz passará a ter novas regras, não devendo a via marítima retornar ao status pré-guerra.

A Complexidade das Demandas Iranianas

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, detalhou que os encontros abordaram uma série de pontos complexos, incluindo o Estreito de Ormuz, a questão nuclear, indenizações de guerra, o levantamento de sanções e o fim completo da guerra contra o Irã e na região. Baqaei, em declaração à agência iraniana Irna, enfatizou a dificuldade em resolver tais questões em menos de 24 horas de negociações. Segundo ele, as divergências sobre o Estreito de Ormuz e assuntos regionais persistiram, impedindo um consenso.

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