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Cuba debate reformas econômicas em meio a bloqueio dos EUA e busca por justiça social

© REUTERS/Alexandre Meneghini/Proibida reprodução

O governo de Cuba, liderado pelo presidente Miguel Díaz-Canel, está debatendo um abrangente pacote de reformas econômicas e sociais. Esta iniciativa ocorre em meio ao endurecimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, buscando ativar a economia da ilha e modernizar seu modelo produtivo. A proposta, anunciada na semana passada, foi pauta de uma reunião extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba nesta quarta-feira (17), em Havana, e ainda aguarda aprovação da Assembleia Nacional.

Eixos da Transformação Econômica em Cuba

As reformas em discussão preveem mudanças significativas em diversas áreas cruciais. Alterações nas políticas fiscal, cambial e de comércio exterior são centrais, visando adaptar a economia às demandas atuais. Além disso, o plano contempla a revisão do sistema de subsídios, elemento chave na estrutura social cubana, com foco na sua racionalização.

Uma parte fundamental do pacote inclui a “reestruturação” do Estado cubano, com o propósito de promover uma maior descentralização política e aprofundar a liberalização econômica. Contudo, o governo reafirma o compromisso de manter a justiça social e combater as desigualdades como pilares de todas as transformações propostas. Este equilíbrio entre abertura e equidade é um desafio central para a administração.

O presidente Díaz-Canel mencionou explicitamente exemplos de países como a China e o Vietnã, que desenvolveram um modelo de “socialismo de mercado”. As reformas cubanas, portanto, buscam resolver “velhas contradições” entre a planificação central da economia, característica histórica do modelo da ilha, e a necessidade de incentivos de mercado para estimular a produção e a eficiência.

Mais de Vinte Medidas Abrangentes

Este programa econômico e social detalha mais de 20 medidas estratégicas. Entre os objetivos primordiais está o incentivo ao investimento estrangeiro direto, considerado essencial para injetar capital e tecnologia na economia. Igualmente importante é a ampliação da autonomia de gestão das empresas estatais, concedendo-lhes maior flexibilidade operacional.

A descentralização das decisões políticas também se destaca, projetando-se um aumento do poder dos municípios na gestão local. Por outro lado, a proposta prevê a ampliação das possibilidades de participação de acionistas em empresas cubanas, abrindo caminho para novas formas de captação de recursos e gestão. Setores como o turismo e o imobiliário, vitais para o país, também serão alvo de mudanças profundas, assim como o próprio sistema de subsídios.

Maior Autonomia para Entidades Locais e Estatais

Miguel Díaz-Canel enfatizou que um dos pilares das reformas é conceder maior autonomia tanto para a gestão das empresas estatais quanto para os municípios e províncias. Essa medida visa permitir que essas entidades atuem na área econômica sem a necessidade de prévia autorização do comando central do país, agilizando processos e decisões.

O presidente comentou sobre a possibilidade de os municípios importarem, exportarem e gerirem diretamente os investimentos estrangeiros, bem como os rendimentos individuais. Essa capacidade de gestão autônoma é vista como crucial para o desenvolvimento local. Além disso, a reforma deve aumentar a autonomia das empresas estatais, que passarão a definir suas próprias políticas internas, com significativa participação dos trabalhadores.

Consequentemente, as empresas terão liberdade para desenhar seus investimentos, sistemas de salários e contratar. Também poderão importar, exportar e receber investimentos estrangeiros, associando-se com qualquer tipo de ator econômico e decidindo seus próprios clientes. A liberalização do mercado cambial, atualmente sob controle central, também está prevista, permitindo a participação direta de pessoas e empresas.

Reestruturação do Estado e Equidade Social

A reforma em discussão inclui, adicionalmente, uma reestruturação do aparato do Estado e das empresas estatais. Díaz-Canel propõe reduções na estrutura de ministérios e de cargos na administração pública, buscando, em sua opinião, “menos burocracia”. Esta otimização visa tornar o governo mais ágil e eficiente.

Tal medida deverá gerar uma economia significativa nos gastos do orçamento público, liberando recursos. Esses fundos, por sua vez, seriam disponibilizados para apoiar programas sociais e a reforma salarial, elementos cruciais para a manutenção da justiça social. Cada empresa, ademais, deverá definir seu sistema salarial “a partir dos ingressos que seja capaz de gerar”, incentivando a produtividade.

Entre os objetivos centrais desta reestruturação está a previsão de que o orçamento público não seja mais utilizado para “financiar a ineficiência da empresa estatal”. Com isso, espera-se que as empresas busquem a autossustentabilidade e contribuam de forma mais efetiva para a economia nacional, reforçando a importância das reformas econômicas em Cuba.

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