Ícone do site Guarulhos Online

Entenda porque pacientes oncológicos não são prioridade na vacinação contra Covid-19

Foto: Divulgação

O critério para a escolha de quem integrará o grupo prioritário da vacina levará em conta não o diagnóstico de câncer, mas sim os critérios clínicos gerais de cada indivíduo

A chegada da vacina para prevenir a Covid-19 está sendo aguardada no mundo todo, já que o vírus ainda continua se alastrando de forma feroz e atingindo pessoas de diversas faixas etárias. O governo de São Paulo já fez alguns pronunciamentos a respeito da proximidade dessa data e dos critérios de escolha dos grupos que receberão as primeiras doses.

Um dos questionamentos que tem sido levantado ultimamente é a não inclusão dos pacientes portadores de câncer nas listas de prioridade e por que eles não integram essa preferência. Segundo o oncologista Daniel Gimenes, do Grupo Oncoclínicas, há vários pontos importantes que devem ser levados em questão ao analisar esse fato.

O médico explica que, em agosto de 2020, publicações renomadas como a do Memorial Hospital, de Nova York, e de Oxford, apontaram, após avaliar casos ocorridos dentro da própria ala oncológica, que os pacientes com tumores sólidos tiveram os mesmos riscos, mesmos períodos de internações e chances de cura do que qualquer outro que não tivesse a doença. “Isso nos trouxe uma certa tranquilidade e conseguimos manter alguns pacientes em tratamento”, conta.

Daniel Gimenes ressalta que a taxa de mortalidade entre os pacientes oncológicos observada até o momento é muito baixa. De acordo com o médico, a grande preocupação está com aqueles que são considerados “vasculopatas”, que integram o grupo de risco por seus critérios clínicos associados, como idade avançada, hipertensão severa, diabetes, obesidade, antecedente de doenças como infarto ou trombose, entre outras.

Juntam-se a eles ainda os pacientes hematológicos, portadores de tipos de câncer como leucemia, linfomas, mieloma múltiplo e, principalmente, os receptores de transplante de medula. Daniel Gimenes afirma que, no caso dos transplantados, a preocupação ainda é dobrada, por conta da imunossupressão muito intensa.

O oncologista do CPO Oncoclínicas ressalta que os pacientes com câncer não só podem, como devem receber a vacina. “Tanto a de Oxford como a Coronavac são desenvolvidas seguindo os métodos tradicionais de vacina, o que não coloca em risco quem está em tratamento para o câncer”, aponta.

O critério para a escolha de quem integrará a relação de beneficiados com a vacina levará em conta não o diagnóstico de câncer, mas sim os critérios clínicos gerais de cada indivíduo.

“Se um paciente com tumor maligno está bem e não apresenta qualquer outra comorbidade associada, nem tampouco faz parte do grupo considerado de risco por critérios de idade, com certeza ela não estará na primeira ou segunda leva de convocados para a vacina. Talvez nem na terceira. E isso não deve ser um fator de ansiedade ou preocupação”, afirma Daniel Gimenes.

O médico frisa ainda que de forma geral os diferentes tipos de câncer ainda não fazem parte dos critérios de escolha para recebimento da vacina.

Sair da versão mobile