O Grande Jogo Regional 2026, o maior evento do calendário escoteiro fluminense, reuniu neste domingo, 26 de novembro, mais de 4 mil crianças, adolescentes, jovens e adultos no Aterro do Flamengo, na capital fluminense. Membros da União dos Escoteiros do Brasil Regional Rio de Janeiro (UEB-RJ) participaram ativamente do encontro, que celebrou a Semana Escoteira e o Dia Mundial do Escotismo, ocorrido no último dia 23, reforçando a importância do Movimento Escoteiro Rio para a formação cidadã.
A Tradição do Evento e a Metodologia Escoteira
O evento anual, conforme detalhou Edinilson Régis, diretor-presidente da Regional RJ da UEB, possui uma longa tradição na cidade. Ele ocorre no Aterro do Flamengo desde a década de 1980, consolidando-se como um ponto de encontro para escoteiros de todo o estado. O objetivo principal é congregar unidades e faixas etárias diversas, desde os 5 até os 22 anos, unidas pelo método educativo escoteiro.
Além disso, Régis ressaltou que a metodologia é fundamentada em princípios como o trabalho em equipe, a cooperação mútua e o protagonismo juvenil. Durante o Grande Jogo Regional, os participantes desenvolvem atividades educativas e de integração, percorrendo um circuito que testa e aprimora seus conhecimentos em diferentes áreas. As dinâmicas são projetadas para estimular a criatividade e abordar temas cruciais, como primeiros socorros. As atividades iniciaram por volta das 9h e se estenderam até as 15h, culminando em uma concentração final para a divulgação dos resultados alcançados pelos grupos.
O Impacto Transformador do Escotismo
O Movimento Escoteiro Rio demonstra ser um catalisador de desenvolvimento pessoal, conforme os depoimentos de pais e educadores envolvidos. Ellisiane Pereira, administradora e mãe de Carlos Henrique, um escoteiro do Grupo Escoteiro Copacabana há três anos, destacou a significativa evolução do filho. Ela observou um acolhimento abrangente para toda a família e uma melhora notável nas habilidades do jovem, que está adquirindo competências essenciais para se tornar um cidadão funcional.
Similarmente, Gabriel Handl, educador do Grupo Escoteiro Copacabana com dez anos de experiência no movimento, enfatizou o papel do escotismo na formação de indivíduos. Ele argumentou que as atividades vão além da vida ao ar livre e dos acampamentos, focando primordialmente em cultivar pessoas engajadas e construtivas para a sociedade. Por sua vez, Bernardo Tavares de Sá, escoteiro de 17 anos do Grupo Escoteiro Marechal Castelo Branco, afirmou ter feito muitas amizades e aprendido o senso de liderança, elementos que considera cruciais para seu crescimento pessoal.
A Educação Não Formal e Seus Princípios
Edinilson Régis explicou que o escotismo se configura como uma modalidade de educação não formal, complementar ao ensino tradicional. Ele une atividades práticas, o contato direto com a natureza e a convivência em grupo, empregando o princípio do “aprender fazendo”. Esta abordagem capacita crianças e jovens a se tornarem protagonistas de seu próprio desenvolvimento, bem como agentes de transformação em suas respectivas comunidades.
O movimento trabalha com diversos princípios fundamentais, entre os quais o meio ambiente se destaca desde os primórdios do escotismo, com foco na conservação. Ademais, são abordadas a cidadania e o desenvolvimento físico, incentivando os participantes a conhecerem suas limitações e a traçarem projetos de vida alinhados às suas faixas etárias. Os ramos Lobinho e Filhote, destinados aos mais jovens, exploram o conceito lúdico com personagens e histórias, enquanto os mais velhos gradualmente se conectam a novas realidades.
Promessa e Lei Escoteira: Valores Fundamentais
A partir do ramo escoteiro, os jovens começam a participar de acampamentos e atividades de campo, ganhando independência ao aprenderem a cozinhar e organizar seus materiais. Eles internalizam o respeito ao próximo, um pilar da instituição. Conforme a Promessa do Escoteiro, cada membro se compromete a cumprir deveres para com Deus (englobando todas as religiões), ajudar a pátria e o próximo, e obedecer à Lei Escoteira. Esta lei, composta por dez artigos, abrange princípios universais como lealdade, altruísmo, pureza, bondade para com animais e plantas, e amizade, fundamentais para a conduta diária.

