A vitória histórica da Espanha na Copa do Mundo Feminina, em agosto de 2023, estabeleceu um novo patamar no futebol global. A conquista inédita das espanholas reacendeu o debate sobre a possibilidade de uma nação deter, simultaneamente, os títulos mundiais masculino e feminino, um feito sem precedentes na história do esporte.
O legado da Copa do Mundo Feminina de 2023
A campanha da seleção feminina da Espanha, apelidada de La Roja, culminou no título da Copa do Mundo Feminina em agosto de 2023, na Austrália e Nova Zelândia. A equipe superou a Inglaterra por 1 a 0 na grande final, disputada no Sydney Stadium, coroando uma trajetória de seis vitórias e apenas uma derrota ao longo do torneio. O time marcou dezoito gols e sofreu sete, demonstrando grande força ofensiva e solidez defensiva.
A meio-campista Aitana Bonmatí emergiu como um dos grandes nomes da competição, sendo eleita a melhor jogadora do torneio. Consequentemente, ela conquistou os prêmios The Best, da Federação Internacional de Futebol (FIFA), e a Bola de Ouro em 2023, consolidando seu status de estrela global do esporte. Atualmente, Bonmatí continua a ser detentora de ambos os prêmios.
A busca masculina e o futuro do futebol espanhol
A seleção masculina da Espanha, por sua vez, já possui um título mundial, conquistado na Copa do Mundo de 2010. Desde então, a expectativa por um bicampeonato permanece alta, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026. A Espanha será uma das sedes do evento, juntamente com Portugal e Marrocos, o que adiciona um incentivo extra para a equipe.
Enquanto a seleção masculina espanhola já garantiu sua vaga no Mundial de 2026, outras potências europeias buscam a classificação. A Argentina, por exemplo, campeã da última edição em 2022, também está garantida, contudo a Inglaterra ainda precisará disputar a repescagem europeia para assegurar sua participação. Portanto, a possibilidade de um embate entre Espanha e Inglaterra, como visto na final feminina, pode se concretizar em um futuro próximo.
Controvérsia em torno da celebração
A histórica conquista feminina, entretanto, foi ofuscada por uma grave polêmica. Durante a cerimônia de premiação em agosto de 2023, o então presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, protagonizou um beijo não consensual na atacante Jenni Hermoso. A atleta negou veementemente a permissão para o ato, que gerou ampla condenação internacional.
A pressão de jogadores, coletivos femininos e da sociedade civil levou à renúncia de Rubiales da RFEF em setembro de 2023. Além disso, o Comitê Disciplinar da FIFA o baniu de atividades relacionadas ao futebol por um período de três anos, em uma demonstração da gravidade da situação.
Contexto histórico e outras conquistas
Embora a Espanha aspire a ser o primeiro país a deter os dois títulos mundiais simultaneamente, a Alemanha já conquistou a Copa do Mundo em ambos os naipes, porém em épocas distintas. As alemãs venceram o torneio feminino em 2003 e 2007, superando o Brasil na final de 2007, mas sem que a seleção masculina fosse campeã mundial no mesmo período.
A Espanha, contudo, já demonstrou capacidade de sucesso em outras competições. A Fúria conquistou a Liga das Nações masculina em junho de 2023 e, mais recentemente, a Liga das Nações feminina em fevereiro de 2024. Isso evidencia a força crescente do futebol espanhol em ambas as categorias, embora não se trate do cobiçado título mundial. Enquanto isso, o Brasil se prepara para sediar a próxima Copa do Mundo Feminina em 2027, prometendo continuar a expansão do esporte na América do Sul.

