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Sanções EUA Cuba: Novas Medidas Econômicas Intensificam Pressão sobre Havana

© Agência Lusa/EPA/Ernesto Mastrascusa/Direitos Reservados

Os Estados Unidos intensificaram recentemente sua pressão econômica sobre Cuba, impondo novas sanções que miram a estatal Gaesa, administrada pelas Forças Armadas cubanas, e a joint venture Moa Nickel (MNSA), uma parceria com a canadense Sherritt International. A medida, justificada pela Casa Branca como essencial para a segurança nacional e para confrontar o regime comunista de Havana, provoca impactos imediatos e acentua a já delicada situação econômica da ilha. O movimento marca um novo capítulo na histórica tensão entre Washington e Cuba.

Impacto Direto nas Empresas Sancionadas

A decisão de Washington gerou repercussão imediata na esfera corporativa. A Sherritt International, empresa canadense parceira na Moa Nickel (MNSA), anunciou a suspensão das suas atividades em Cuba com efeito imediato, comunicando o rompimento contratual aos seus parceiros cubanos. A companhia declarou que as novas condições alteram substancialmente sua capacidade de operar no curso normal dos negócios, inviabilizando as operações da joint venture na ilha caribenha.

Além da Moa Nickel, o Grupo de Administración Empresarial S.A (Gaesa), um conglomerado de empresas estatais cubanas que atua em setores estratégicos como energia e turismo, também foi alvo das sanções. A Casa Branca estendeu a medida punitiva à presidente da Gaesa, Ania Guillermina Lastres Morera. A general de brigada e economista, que também é deputada da Assembleia Nacional de Cuba desde 2018, ocupa a presidência da corporação desde 2022.

Análise e Repercussões Econômicas

A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), avalia que esta nova onda de sanções pode ter um impacto significativo, especialmente no setor do níquel. Segundo a especialista, a indústria do níquel era uma das poucas que ainda apresentava funcionamento consistente, e a parceria com a empresa canadense Sherritt International representava uma importante fonte de divisas para o país.

Massón Sena acrescenta que a Gaesa já vinha enfrentando dificuldades decorrentes de sanções anteriores. Contudo, as recentes medidas podem intensificar a apreensão entre empresários estrangeiros que possuem negócios em Cuba, impulsionando a retirada de investimentos e agravando ainda mais o cenário econômico da nação. Esse movimento pode desestimular futuras parcerias e limitar o acesso cubano a mercados internacionais.

Acusações de Corrupção sem Provas

Os Estados Unidos acusam a Gaesa de ‘corrupção’ como justificativa para as sanções impostas. Entretanto, a historiadora Caridade Massón pondera que, embora casos de corrupção possam ocorrer em qualquer companhia e país, Washington não apresentou provas concretas que sustentem essas alegações. Segundo ela, o pretexto de corrupção é frequentemente utilizado, com foco no turismo por ser um dos maiores geradores de receita.

A professora destaca que o governo estadunidense alega que dirigentes da Gaesa desviam recursos através do turismo, mas nunca apresentou evidências que validem tais afirmações. Por conseguinte, a falta de material comprobatório levanta questionamentos sobre a verdadeira motivação por trás das sanções, sugerindo que podem ir além das acusações de má gestão.

Contexto do Bloqueio e Crise Humanitária

As sanções recentes somam-se a um histórico de bloqueios e pressões econômicas contra Cuba. Esta medida agrava uma crise já acentuada por ações anteriores, como a restrição ao fornecimento de petróleo. A ameaça de tarifas contra países que comercializam petróleo com Havana, iniciada em janeiro, por exemplo, resultou em meses de desabastecimento, deixando a ilha sem combustível por um longo período.

O impacto direto do bloqueio energético na vida cotidiana dos cubanos é severo. Moradores de Havana, consultados pela Agência Brasil, relatam que este é o pior momento do país, com um aumento expressivo nos apagões elétricos, elevação dos preços de produtos básicos, redução drástica no transporte público e diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. A escassez generalizada afeta profundamente o bem-estar da população.

A professora Caridad Massón enfatiza a extrema dificuldade da situação econômica, marcada pela falta de eletricidade, combustível e medicamentos essenciais. Contudo, ela critica veementemente a inação da comunidade internacional, que, segundo sua perspectiva, permite que os Estados Unidos interfiram na soberania de qualquer país quando julgam conveniente, sem apresentar resistência significativa.

Crítica à Intervenção Externa

Massón argumenta que o verdadeiro objetivo dessas medidas é ‘afogar os cidadãos cubanos pela fome e pela necessidade’. Ela ressalta que somente os cubanos têm o direito de alterar seu sistema econômico e político. A especialista ainda criticou o então presidente Trump, acusando-o de usar esses conflitos para desviar a atenção de suas próprias questões legais, como a colaboração com Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais.

Posições Oficiais de EUA e Cuba

Em comunicado oficial, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu as sanções como essenciais para ‘proteger a segurança nacional dos Estados Unidos’. Ele afirmou que as medidas integram uma campanha abrangente do governo, visando enfrentar as ‘ameaças urgentes’ representadas pelo regime comunista de Cuba e responsabilizar aqueles que lhe fornecem apoio material ou financeiro. A declaração reforça a postura assertiva de Washington.

Em resposta, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, utilizou suas redes sociais para condenar as ações, declarando que o povo cubano e a comunidade internacional já conhecem a crueldade do governo dos EUA. Ele classificou as medidas como uma agressão unilateral contra uma nação cuja única ambição é viver em paz e determinar seu próprio destino, livre da interferência do imperialismo estadunidense. Dessa forma, Havana reitera sua posição de vítima de uma política externa hostil.

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