O Museu da Casa Brasileira (MCB), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugurou a exposição “Sob a casa, outras casas” na Residência Olivo Gomes. Localizada no Parque da Cidade, em São José dos Campos, a mostra foi aberta ao público em julho, marcando uma nova fase de descentralização cultural do estado.
Essa iniciativa é resultado de uma parceria estratégica com a Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC), a Prefeitura de São José dos Campos e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo. O projeto conta ainda com o patrocínio de empresas importantes como EDP e Embraer, visando ampliar o acesso a acervos significativos e estimular a economia criativa na região do Vale do Paraíba.
A Proposta Curatorial e suas Múltiplas Narrativas
A exposição, sob a curadoria de Giancarlo Latorraca, Isabel Xavier e Guilherme Wisnik, explora a complexidade da identidade habitacional brasileira, revelando a coexistência de múltiplas narrativas simultâneas. Sob as linhas modernas da Residência Olivo Gomes, a mostra apresenta as experiências cotidianas de diversos tipos de moradias, desde as casas indígenas, ribeirinhas e sertanejas até as rurais e periféricas.
Contudo, a mostra não se limita a um único estilo ou período, expondo peças produzidas por povos originários, objetos coloniais e imperiais, além de mobiliário do design moderno e contemporâneo. Ademais, a narrativa do morar é enriquecida por ensaios fotográficos de autores renomados como Andrés Otero, Iatã Cannabrava e Milton Guran, que documentam uma vasta gama de ambientes, desde palafitas amazônicas até apartamentos urbanos.
Descentralização Cultural e o Potencial do Interior Paulista
A chegada da exposição ao Vale do Paraíba solidifica a estratégia do governo estadual de levar grandes acervos para além dos limites da capital paulista. Esta ação tem como objetivo principal movimentar o cenário cultural e a economia criativa de polos regionais, reconhecendo o protagonismo histórico e a força própria do interior do estado.
Nesse sentido, o vice-governador Felicio Ramuth destacou que São José dos Campos, por reunir tradição, inovação e capacidade de realização, demonstra a confiança do Governo do Estado no potencial cultural local. O compromisso, portanto, é ampliar investimentos e oportunidades em todas as regiões, fortalecendo a cultura como pilar para a formação das pessoas, a valorização da história e a construção de um estado mais integrado e desenvolvido.
Vozes do Governo e da Gestão Local
A Secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Marília Marton, reforçou a importância da iniciativa como um exemplo prático da descentralização cultural. Ela enfatizou que a cultura deve circular, rompendo as fronteiras da capital e ocupando espaços emblemáticos, como a Residência Olivo Gomes, em potências culturais e econômicas como São José dos Campos.
Similarmente, o prefeito Anderson Farias celebrou a cooperação entre Estado e município, ressaltando que o trabalho conjunto com o Governo do Estado e a iniciativa privada permite à cidade receber acervos importantes. Por conseguinte, ele considerou a exposição um “presente” para o início de julho, mês de aniversário da cidade, destacando o valor dessa articulação para o desenvolvimento local.
Por outro lado, Tom Freitas, presidente da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, sublinhou o impacto nacional da chegada do Museu da Casa Brasileira à cidade. Com a vinda desse equipamento cultural em parceria, São José dos Campos, segundo ele, ingressa no circuito de discussões sobre design e arquitetura no Brasil, elevando o perfil cultural do município.
Diálogo entre Patrimônios e Sustentabilidade Cultural
A mostra estabelece um singular cruzamento de acervos e manifestações culturais em um espaço de relevante valor histórico. Essa abordagem visa propor um novo olhar sobre a preservação e a difusão do patrimônio do Estado, utilizando a arquitetura moderna da Residência Olivo Gomes como um contraponto enriquecedor para as peças expostas.
Jochen Volz, Diretor-Geral da APAC, afirmou que levar esse conjunto de obras, objetos e histórias para São José dos Campos expande o alcance de um acervo fundamental para a compreensão da cultura brasileira. Ao ocupar a Residência Olivo Gomes, um dos importantes exemplares da arquitetura moderna do país, a exposição cria um diálogo singular entre diferentes patrimônios, reforçando a descentralização do acesso à cultura e a promoção de encontros entre coleções, territórios e comunidades.
Além disso, a viabilização desse modelo e a sustentabilidade das atividades museológicas na região contam com o investimento do setor privado. Este apoio é fundamental, pois está associado a ações de desenvolvimento humano e à preservação da memória nacional, garantindo a continuidade e o alcance desses importantes projetos culturais.

