A Fundação para o Remédio Popular (FURP), laboratório farmacêutico oficial do estado de São Paulo, em Guarulhos, tem sua extinção na mira do Governo Estadual. O Projeto de Lei Complementar (PLC) 49/2025 tramita, contudo, em regime de urgência na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e deve ir a votação em plenário nesta semana. Portanto, a proposta afeta diretamente Guarulhos, onde uma das principais sedes da FURP, inaugurada em 1984, está localizada na região do Itapegica.
A extinção da fundação, proposta pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), prevê que as atribuições da FURP em Guarulhos passem para o Instituto Butantan. Além disso, os funcionários públicos da unidade de Guarulhos devem ser realocados para outras funções na Secretaria de Estado da Saúde.
Por que o Governo quer a extinção da FURP em Guarulhos?
A proposta de extinção se baseia em um estudo de viabilidade econômica. Segundo o texto do PLC, a fundação tem apresentado um desempenho financeiro negativo.
De acordo com o estudo, que analisou os resultados entre 2011 e 2025, a FURP acumulou um declínio de 30 milhões negativos. O governo justifica a medida afirmando que:
“A unidade não conseguiu alinhar sua capacidade de produção à fabricação de produtos com valor agregado suficiente para cobrir seus custos estruturais”.
Diz o texto da pasta.
A FURP é responsável pela produção de medicamentos essenciais, como antibióticos, antivirais e remédios para pacientes diabéticos e transplantados. A saber, a distribuição acontece de maneira gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Preocupação em Guarulhos: área próxima ao Metrô
O impacto da extinção da fábrica de Guarulhos mobilizou a sociedade civil e autoridades locais. Nesta terça-feira (21), uma audiência pública na Alesp reuniu diversos representantes para debater o projeto.
O vereador de Guarulhos, Marcelo Seminaldo (PT), participou do encontro e levantou uma questão crucial em suas redes sociais. Ele aponta que o interesse do Governo Estadual pode estar relacionado à localização estratégica da fábrica.
A área da fábrica da FURP no Itapegica, portanto, ganha valor imobiliário significativo com a expansão do Metrô, o que adiciona uma camada política ao debate sobre a extinção da fundação.
O que acontece se a FURP for extinta?
Caso o PLC 49/2025 seja aprovado, as principais consequências para a saúde pública e para Guarulhos incluem:
- Transferência de Produção: A produção de medicamentos essenciais (antibióticos, antivirais, remédios para diabéticos) passará a ser responsabilidade do Instituto Butantan.
- Destino dos Servidores: Funcionários públicos da unidade de Guarulhos sofrerão realocação para outras atribuições na Secretaria de Estado da Saúde.
- Futuro da Área: A área da fábrica no Itapegica receberá liberação para outros fins, levantando questionamentos sobre o uso do terreno, especialmente devido à proximidade com a futura estação do Metrô.
A votação do projeto em plenário nesta semana definirá o futuro da fundação e do laboratório em Guarulhos.

