Ícone do site Guarulhos Online

Guarulhos celebra feriado de 9 de julho: a história da Revolução Constitucionalista

© Avelino Ginjo/ MIS

Em todo o estado de São Paulo, o dia 9 de julho marca um feriado cívico de profunda importância histórica. A data celebra a Revolução Constitucionalista de 1932, um movimento armado deflagrado pelos paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas no Brasil. Este levante, que ocorreu há mais de noventa anos, ainda ressoa na história e identidade do estado, incluindo Guarulhos e toda a Grande São Paulo.

Raízes da insatisfação paulista

A insatisfação paulista, contudo, não surgiu do nada, mas foi construída sobre um cenário de profundas transformações políticas e econômicas. O colapso da Bolsa de Nova York em 1929, por exemplo, impactou severamente a produção de café, principal produto de exportação de São Paulo à época. Além disso, a Revolução de 1930 destituiu o presidente Washington Luís e encerrou a chamada ‘Política do Café com Leite’, que alternava o poder entre elites mineiras e paulistas, isolando as lideranças agrárias e industriais do estado do poder central.

Getúlio Vargas, ao assumir a presidência, estabeleceu interventores próprios nos estados, medida que gerou grande resistência em São Paulo. O tenente pernambucano João Alberto Lins de Barros, um dos primeiros interventores em São Paulo, enfrentou oposição ferrenha de intelectuais, políticos e da imprensa local. Partidos como o Republicano Paulista (PRP) e o Democrático (PD) lançaram campanhas contundentes contra as políticas do governo provisório.

A escalada da tensão em São Paulo

O clima de tensão escalou rapidamente em São Paulo. Em março de 1932, Pedro de Toledo, um civil de conciliação, assumiu como interventor. No entanto, a agitação popular continuava forte. Consequentemente, em 23 de maio daquele ano, um protesto de cerca de 300 pessoas, iniciado na Faculdade de Direito, dirigiu-se à sede do Partido Popular Paulista, que apoiava Vargas, na Praça da República.

Durante o incidente, que incluiu o incêndio parcial do prédio, tropas federais abriram fogo contra a população. O inquérito policial da época não conseguiu identificar os atiradores, mas a tragédia deixou marcas. Naquela noite, Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia e Antônio Américo de Camargo Andrade perderam a vida. Poucos dias depois, Dráusio Marcondes de Sousa também faleceu devido aos ferimentos. Desta forma, os nomes dos quatro primeiros mortos foram imortalizados no acrônimo MMDC, que se tornou um símbolo da resistência.

O início e o fim do levante armado

A comoção pública, assim, se intensificou após as mortes. Pedro de Toledo, cedendo à pressão e rompendo com o governo federal, foi proclamado governador do estado em 9 de julho de 1932, iniciando formalmente a mobilização separatista. O movimento paulista buscou expulsar as tropas federais e combater o governo Vargas, pautando-se em um discurso legalista de defesa da Constituição e do mito da liderança paulista.

Todavia, a falta de apoio de outros estados brasileiros inviabilizou o sucesso do levante armado. Após aproximadamente três meses de intensos combates, as forças paulistas foram vencidas, e a rendição oficial ocorreu em 2 de outubro de 1932. Apesar da derrota militar, a Revolução de 1932 pressionou o governo federal a promulgar uma nova Constituição em 1934, um dos objetivos principais do movimento.

O legado da data cívica

Desde 1997, portanto, o 9 de julho é oficialmente feriado em São Paulo. A data serve para rememorar a Revolução Constitucionalista, marcando um período crucial na formação da identidade paulista e na relação do estado com o poder central. Embora o movimento tenha sido uma oposição militar, sua construção como data cívica ao longo das décadas destaca a capacidade de São Paulo de se reorganizar e reafirmar seu papel no cenário nacional.

Sair da versão mobile