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Fim da Escala 6×1: Governo Lança Campanha Nacional por Mais Tempo de Vida e Descanso

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo federal lançou neste domingo (3) uma campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1, buscando assegurar mais tempo para a vida além das obrigações profissionais, sem que haja redução salarial. A iniciativa visa proporcionar períodos dedicados à família, ao lazer, à cultura e ao descanso, impactando potencialmente cerca de 37 milhões de trabalhadores em todo o país.

Benefícios e Justificativa da Proposta

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) esclareceu que o potencial de beneficiados com a redução da jornada é significativamente maior do que outras medidas governamentais, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, que impactou aproximadamente 10 milhões de pessoas. Além disso, a garantia de um tempo de descanso adequado é vista como um fator que impulsiona positivamente a economia, alinhando-se a uma visão moderna de desenvolvimento que equilibra produtividade, bem-estar social e inclusão.

Conforme a Secom, a proposta dialoga com as recentes transformações econômicas e o avanço tecnológico, que têm gerado ganhos de produtividade. Nesse sentido, jornadas de trabalho mais equilibradas podem acarretar a redução de afastamentos por motivos de saúde, a melhoria do desempenho profissional e, consequentemente, a diminuição da rotatividade de empregados nas empresas.

Novos Limites de Jornada e Direitos Assegurados

A proposta governamental estabelece um novo limite de jornada em 40 horas semanais, mantendo as oito horas diárias de trabalho, inclusive para aqueles que atuam em escalas especiais. Dessa forma, os trabalhadores terão garantidos dois dias de repouso semanal com 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e domingos, promovendo uma melhor qualidade de vida.

O modelo de cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso poderá ser ajustado e definido por meio de negociação coletiva. Contudo, essa flexibilização deverá sempre respeitar as particularidades de cada atividade profissional, assegurando que os direitos dos trabalhadores sejam mantidos.

Detalhes da Campanha Nacional

Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha pelo fim da escala 6×1 será amplamente veiculada. A divulgação ocorrerá em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinemas e até mesmo na imprensa internacional, visando alcançar um público vasto e gerar conscientização.

A Secom aponta que o objetivo é conscientizar tanto empregados quanto empregadores sobre a importância dessa mudança. Reduzir a escala de trabalho, segundo a secretaria, significa defender o convívio do trabalhador com sua família, valorizando não apenas o trabalho, mas também a vida para além das obrigações laborais, fortalecendo a família brasileira.

Tramitação Legislativa no Congresso Nacional

No dia 14 de abril, o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa proposta, que tramita com urgência constitucional, estabelece a redução do limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer tipo de redução salarial, efetivamente pondo fim à escala 6×1.

A iniciativa do governo federal tramita em conjunto com outras propostas já existentes no Congresso Nacional. Diante disso, foi criada uma comissão especial para analisar uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, demonstrando a relevância e complexidade da discussão.

Comissão Especial de Análise

O colegiado foi instalado na quarta-feira (29) e será responsável por analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que aborda o mesmo assunto. A comissão é presidida pelo deputado Alencar Santana (PT-SP), enquanto a relatoria ficará a cargo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), figuras centrais no debate legislativo.

Composta por 38 membros titulares e igual número de suplentes, a comissão terá um prazo de até 40 sessões para emitir seu parecer. A partir do dia seguinte à sua instalação, iniciou-se o prazo de 10 sessões para a apresentação de emendas. O deputado Alencar Santana destacou que o tempo para análise é limitado, prevendo a realização de duas reuniões semanais, às terças e quartas-feiras, para debater a matéria em profundidade.

Além da proposta governamental, o colegiado analisará duas outras Propostas de Emenda à Constituição que também visam a redução da jornada de trabalho. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução de 44 para 36 horas semanais, com uma transição ao longo de dez anos. Por outro lado, a PEC 8/25, apensada à discussão, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com um limite de 36 horas no período.

Na prática, todas essas PECs, se aprovadas na comissão especial, culminarão no fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). Posteriormente, as propostas seguirão para votação no plenário da Câmara, onde enfrentarão o crivo final dos parlamentares.

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