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Finep Financia Malva na Amazônia: Impulso para a Bioeconomia Regional

© CNI/José Paulo Lacerda

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou o financiamento de R$ 15,2 milhões para um projeto estratégico na Amazônia. Esta iniciativa visa estruturar e aprimorar a cadeia produtiva da malva, uma planta nativa da região, com o objetivo de introduzir tecnologias inovadoras, elevar a produtividade e agregar valor aos têxteis produzidos por famílias ribeirinhas, principalmente no estado do Pará.

Impulso Tecnológico para a Produção de Malva

A Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), uma empresa paraense com quatro décadas de experiência na produção de juta, propôs este projeto ambicioso. A CTC já emprega a fibra de malva, extraída por comunidades locais, na fabricação de têxteis, demonstrando o potencial da planta para o desenvolvimento regional. Contudo, o setor enfrenta desafios significativos que o financiamento da Finep busca mitigar com a introdução de novas práticas e equipamentos.

Rodrigo Secioso, superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, apontou que a cadeia produtiva da malva possui um baixo índice de tecnificação. Esta deficiência abrange desde as etapas iniciais de plantio até o beneficiamento das fibras, impactando diretamente a eficiência e a qualidade do produto final. Portanto, a inovação tecnológica surge como um pilar central da intervenção governamental para o desenvolvimento.

O projeto aprovado pela Finep pretende introduzir maquinários para a colheita, quebra e separação de sementes, além de desenvolver uma infraestrutura digital robusta para a gestão do cultivo. Adicionalmente, mecanismos financeiros serão avaliados para a produção em escala, visando consolidar negócios comunitários piloto que possam ser replicados em outros territórios da Amazônia, fortalecendo a bioeconomia local e gerando renda.

Da Tradição ao Reconhecimento Global da Malva

Tradicionalmente, a malva é empregada na confecção de sacarias agrícolas, cordas, tapetes e estofamentos, evidenciando sua versatilidade. No entanto, a planta ganhou destaque global recentemente, quando a atriz brasileira Alice Carvalho exibiu um vestido feito com tecido de juta e malva, produzido pela CTC, na cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos. Este evento sublinhou o potencial da fibra para produtos de maior valor agregado e visibilidade.

O cultivo da malva ocorre em áreas de várzea, onde as sementes são lançadas nos leitos dos rios durante a estiagem, aproveitando o ciclo natural da região. Posteriormente, no início da cheia, os agricultores realizam a colheita. Eles cortam as plantas, separam-nas em feixes e as deixam de molho por cerca de dez dias para amolecerem, um processo artesanal que exige tempo e esforço consideráveis por parte dos trabalhadores.

Após o período de imersão, as fibras são retiradas da água e secas em varais artesanais, finalizando uma etapa crucial da produção. A ausência de estrutura adequada para a colheita, transporte, secagem, prensagem e armazenamento acarreta riscos e prejuízos aos produtores. Por conseguinte, o uso restrito do produto final limita o número de compradores, evidenciando a necessidade de expansão de mercado e diversificação de aplicações para a fibra.

Investimento e Colaboração para o Futuro Sustentável

O investimento total no projeto alcança R$ 25,7 milhões, dos quais R$ 15,2 milhões, correspondendo a 60% do valor, são financiados pela Finep. Esta subvenção é concedida por meio do edital Finep Amazônia – Subvenção Econômica à Inovação em Fluxo Contínuo – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional, reforçando o compromisso do governo federal com o desenvolvimento sustentável e a inovação na região amazônica.

Além da Companhia Têxtil de Castanhal, o projeto conta com a participação de importantes instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) que contribuem com expertise e pesquisa. Entre elas estão a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), fortalecendo o caráter multidisciplinar da iniciativa para aprimoramento das espécies e processos.

Quatro empresas também integram a iniciativa: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41, fomentando a colaboração entre setor público, academia e iniciativa privada. O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, enfatizou a importância desse apoio governamental, afirmando que o governo federal assume o risco da inovação, em parceria com empresas e institutos de pesquisa, viabilizando iniciativas brasileiras com benefícios diretos e indiretos às comunidades envolvidas.

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