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Futebol e saúde mental: da pauta da ONU ao alerta sobre apostas no Brasil

© ONU/ Divulgação

A Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu em novembro de 2023 uma discussão global sobre a relação entre o futebol e a saúde mental dos jovens. O evento, realizado em Nova York, nos Estados Unidos, buscou integrar o esporte como uma ferramenta essencial para o bem-estar da população mundial.

O Escritório da Juventude da ONU organizou o encontro, intitulado “Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo: O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude”. Essa iniciativa reúne representantes de governos, do setor privado e da sociedade civil, além de jovens, para desenvolver estratégias de promoção da saúde mental. A organização baseia-se em um relatório que aponta que um em cada sete indivíduos entre 10 e 19 anos enfrenta problemas de saúde mental. Além disso, a depressão tem crescido entre adolescentes e jovens adultos nos últimos anos, enquanto a prática de esportes coletivos se associa a taxas menores de depressão e ansiedade.

Futebol feminino e a pauta de gênero no Brasil

A próxima Copa do Mundo Feminina, que o Brasil sediará em 2027, levanta uma discussão relevante para o contexto nacional. Pedro Trengrouse, da Fifa Master Alumni, sugere que o evento mundial utilize sua plataforma para focar no combate à violência de gênero, uma questão crítica no país. Segundo ele, o Brasil, com seus altos índices de feminicídio, não pode acolher o torneio sem abordar essa problemática fundamental. Portanto, a Copa Feminina pode se tornar um catalisador para importantes debates sociais.

O reverso da paixão: alerta sobre apostas online

Contudo, a paixão pelo futebol no Brasil também apresenta desafios, especialmente com o avanço das plataformas de apostas online, as chamadas bets. Instituições como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alertam sobre a manipulação que a euforia dos grandes eventos esportivos pode gerar, expondo a população a riscos de endividamento e agravamento de quadros de saúde mental. Para muitos, a prática de apostar pode evoluir para um problema sério, comprometendo finanças e bem-estar.

Dados recentes da fintech Klavi, obtidos via Open Finance do Banco Central, revelaram um expressivo volume financeiro movimentado. Em novembro de 2023, durante a Copa do Mundo, apostadores brasileiros enviaram R$ 944 milhões para casas de apostas, com R$ 17,9 milhões apenas em um dia específico. O Idec ressalta que eventos de grande mobilização emocional tendem a ampliar a exposição à publicidade de bets, alcançando não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Diante desse cenário, a demanda por atendimento psicológico para jogadores compulsivos cresceu significativamente. Consequentemente, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou sua oferta de teleatendimento para lidar com essa questão emergente. O Ministério da Saúde, por sua vez, reconhece que a prática de apostas pode causar danos significativos na saúde física e mental, nas relações sociais e na vida financeira, comprometendo seriamente a qualidade de vida dos indivíduos. Este alerta ressoa com a necessidade de atenção em cidades como Guarulhos e em toda a Grande São Paulo, onde o acesso a serviços de saúde mental é crucial para mitigar os impactos dessa problemática.

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