Um levantamento minucioso realizado pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, com base nos Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que a chamada Geração Prateada, composta por pessoas com 60 anos ou mais aptas a votar, expandiu-se cinco vezes mais rapidamente que o eleitorado geral no Brasil ao longo dos últimos dezesseis anos, especificamente entre 2010 e março de 2024. Com um crescimento de 74%, este segmento demográfico emerge como um fator estratégico e potencialmente decisivo nas próximas eleições.
Expansão Notável da Geração Prateada
Enquanto o número de eleitores de todas as faixas etárias registrou um aumento de 15% no período analisado, o eleitorado 60+ demonstrou uma ascensão expressiva de 74%. Este crescimento se traduz em um salto de 20,8 milhões de eleitores em 2010 para 36,2 milhões até março deste ano. Contudo, a Nexus aponta que esses números podem ser ainda maiores, considerando que o prazo final para o cadastro de eleitores no TSE se encerra em 6 de maio.
Até a data da coleta de dados, 156,2 milhões de brasileiros estavam aptos a participar do processo eleitoral em outubro, superando os 135,8 milhões registrados em 2010. Dessa forma, a análise sugere que, em um cenário de polarização aguda, similar ao observado nas eleições de 2022, a obtenção do voto da população 60+ assume uma importância tática inegável para os candidatos.
Impacto Estratégico nas Eleições
De acordo com Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a Geração Prateada possui um potencial significativo para influenciar o desfecho das eleições deste ano. “É bastante plausível afirmar que a chamada Geração Prateada (60+) pode ser decisiva nas eleições, embora não se possa dizer que ela, sozinha, definirá o resultado”, ponderou Tokarski em sua análise.
Ademais, Tokarski recordou que a diferença entre os candidatos na última eleição presidencial, em 2022, foi inferior a 2 milhões de votos, tornando esse contingente eleitoral altamente estratégico. Numericamente, a população com mais de 60 anos passa a ter um peso relevante, constituindo um em cada quatro eleitores do país. Assim, pode atuar como um fiel da balança, especialmente em cenários políticos polarizados.
A tendência, ele admite, é que a proporção dos seniores no eleitorado acompanhe o aumento da longevidade. O levantamento da Nexus demonstra que a população brasileira com 60 anos ou mais saltou de 7% para 16% em três décadas e, em paralelo, o eleitorado 60+ cresceu rapidamente, já representando 23,2% dos votantes.
Comportamento Eleitoral e Abstenção
A abstenção entre os maiores de 60 anos tem apresentado uma queda consistente nas últimas três eleições: somava 37,1% em 2014, passando para 36,4% em 2018 e atingindo 34,5% em 2022. Em contrapartida, as abstenções do eleitorado brasileiro em geral aumentaram de 19,4% em 2014 para 20,3% em 2018 e 20,9% no último pleito nacional, evidenciando uma participação diferenciada dos mais velhos.
Os eleitores com mais de 70 anos, embora não tenham obrigatoriedade de voto e apresentem uma taxa de abstenção superior à média da Geração 60+, também demonstram um comparecimento crescente às urnas. Este grupo registrou 63,6% de abstenção em 2014, com queda para 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022, indicando um engajamento maior ao longo do tempo.
O Voto por Convicção
Na avaliação de Marcelo Tokarski, os brasileiros com mais de 70 anos que participam das eleições o fazem por forte convicção ou identificação política. Nesse sentido, eles, ao lado dos eleitores mais jovens, entre 16 e 18 anos, constituem as faixas de brasileiros a serem ‘conquistadas’ pelos candidatos. Tokarski acredita que, em um cenário político acirrado, a adesão desses eleitores tem a possibilidade de alterar os rumos de uma eleição.
Crescimento de Candidaturas 60+
Paralelamente ao aumento do eleitorado, o número de candidatos com mais de 60 anos também tem crescido anualmente no Brasil, tanto nas eleições gerais quanto nas municipais. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições de 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60 anos ou mais se candidataram aos cargos em disputa, o que corresponde a 15% de todas as candidaturas. Este montante representa o maior desde o início da série histórica, em 1998.
Ademais, o pleito anterior, em 2022, também registrou um recorde para eleições gerais, com 4.873 candidatos com 60 anos ou mais. Esta quantia equivalia a 17% das candidaturas apresentadas. Por conseguinte, a participação política ativa da Geração Prateada se manifesta não apenas nas urnas, mas também na própria disputa eleitoral.

