Conheça a saga de Rose Nascimento; hoje ela ajuda outras mulheres com câncer a buscarem autoestima e seus direitos para enfrentar a doença
Roseane Nascimento da Silva Sousa, descobriu um câncer de mama em 2019, aos 36 anos de idade. Logo após ter detectado o nódulo, em um exame de toque, se dirigiu à Unidade Básica de Saúde (UBS) Santos Dumont em busca de atendimento.
No acolhimento foi recomendado que ela fizesse uma mamografia, mas que procurasse pelo sistema particular, em razão da demora no atendimento do SUS. Nesse meio tempo, ela disse que ‘corria atrás’ de um atendimento com especialista.
“Nesse período muitos profissionais me diziam que não seria nada”, afirmou. Mas Rose ‘bateu o pé’ e conseguiu ser atendida no Hospital Jesus, José e Maria (JJM).”Lá recebi o diagnóstico de um mastologista e fui para o sistema CROSS,” descreveu.
Esse especialista é responsável por avaliar e acompanhar doenças da mama. Já a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS) é responsável por buscar oferta de vagas para consultas, exames e tratamentos em hospitais de SP.
No caso de Rose, ela justificou que não queria fazer o tratamento em Guarulhos, pois sabia que seria feito em parte no Hospital Geral de Guarulhos, da rede estadual. Ela já acompanhava uma amiga que passou por tratamento para o câncer e na época, havia falta de insumos e máquinas de exames nesta unidade.
“O paciente oncológico tem o direito de solicitar transferência de unidade para se tratar, mas o processo é complexo precisa ser transferido para assistência social e expor documentos e justificativa”, descreveu.
Casada mãe de dois filhos, a técnica em contabilidade, ganhou a vida trabalhando com logística, mas se dedica integralmente a confeitaria há alguns anos. Rose afirmou que seu maior medo depois do diagnóstico era perder os filhos e não poder acompanhar o crescimento deles.
“Em um primeiro momento foi desesperador, muitas incertezas, mas foram dias de aprendizado, me agarrei na minha fé e pedi muita sabedoria e força para batalhar. As mudanças corporais tratei com leveza, pois sabia que seria necessário mudar e hoje convivo com minhas cicatrizes sem nenhum peso,” revelou.
O nódulo de Rose tinha 1,5 cm na mama esquerda, era um tumor invasivo grau II e já era palpável quando ela foi diagnosticada. “É muito importante conhecermos o nosso corpo, ele dá indícios quando algo está errado, o autoexame nos ajuda a detectar alguma forma estranha no corpo, além dos exames preventivos anuais,” destacou.
Rose conseguiu tratamento no Hospital Pérola Byington em São Paulo, em sua UBS apesar do atendimento que considera acolhedor, enfrentou resistência em convencer a equipe da unidade de que ela poderia ter um câncer de mama aos 36 anos.
“Fiz uma retirada parcial da mama, chamada de quadrante, até agora fiz uma cirurgia e uma histerectomia radical”. Todas foram realizadas neste hospital que é referência para saúde da mulher. A confeiteira passou ainda, por seis sessões de quimioterapia vermelha e branca com intervalos de 21 dias e 15 sessões de radioterapia.
Ao todo foram nove meses de tratamento e hoje ela está curada, mas segue fazendo acompanhamento médico a cada quatro e seis meses. “Quem passou pelo câncer, pelo tratamento que passamos e mesmo assim, continua sendo a mesma pessoa, não tem como, é uma pessoa antes e uma depois, eu me defino assim,” revelou.
“Meu tratamento foi pesado, hoje continuo em acompanhamento com a rotina de exames, medicamentos orais e tratamento preventivo com medicações para os ossos”. Ela aponta que o SUS tem uma grande importância em seu tratamento, pois tem acesso a remédios de alto custo e exames de rastreio.
“Existe uma diversidade enorme de tipos de câncer de mama, em Guarulhos, vejo muitas mulheres reclamando do atendimento, é uma rede pequena em relação a quantidade de habitantes, mas existe cura e tratamento no SUS, conheço muitas pessoas que venceram e estão vencendo o câncer, mas muitas vezes é necessário recorrer ao sistema privado em razão da demora,” expôs.
Entretanto ela destacou que essa demora e falta de condições para atendimento dificultam o diagnóstico e o tratamento. “Infelizmente temos exames no SUS, mas que não são de fácil acesso e tem uma certa espera, o que influencia no diagnóstico, já no particular você tem acesso mais rápido e isso acaba salvando, porque o quanto antes o diagnóstico mais chance da mulher tratar e vencer em todos os estágios” apontou.
“É muito importante que toda paciente saiba dos seus direitos, trabalhistas e referente ao tratamento. Sempre fiz questão de pesquisar, sobre isso, inclusive indico os sites Oncoguia, Instituto Vencer o Câncer e INCA, que me ajudaram” informou.
“O paciente com informação faz diferença, mas como se trata do SUS, muitas vezes, a pessoa não sabe ler, então é preciso ter ajuda e apoio entre quem já teve câncer para quem está enfrentando a doença,” destacou.
Atualmente, Rose mantém o projeto Florescendo de apoio a mulheres que estão em tratamento. “O intuito de mostrar para a paciente a beleza que existe nela, independente da situação, o autocuidado ajuda muito na autoestima feminina. A falta de cabelos, olheiras podem ser camufladas com acessórios e maquiagem, o mais importante de tudo é a palavra de fé e ânimo de que tudo dará certo,” apontou.
Durante o tratamento, Rose afirmou que só parava de trabalhar quando se sentia indisposta, “Sempre passei todo o processo com leveza vivendo, rindo e amando junto da minha família e amigos, hoje uma voz que instrui a prevenção, mas também uma voz de apoio pela qualidade de vida e direitos ao tratamento das pacientes oncológicas,” finaliza.

