A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou recentemente uma proposta que visa ampliar a inclusão de autistas no trabalho, obrigando empregadores a adotar medidas específicas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esta iniciativa busca promover uma integração mais efetiva e uma permanência duradoura no mercado de trabalho, estabelecendo diretrizes claras para adaptações necessárias em ambientes e processos.
Embora indivíduos com TEA já sejam contemplados pelas cotas de emprego destinadas às pessoas com deficiência, a nova proposta vai além, criando um conjunto de regras particular. Desse modo, a legislação brasileira passará a dispor de mecanismos mais robustos para atender às necessidades específicas dos autistas, garantindo que as empresas preparem seus quadros e instalações adequadamente.
Detalhes da Proposta e Alterações Legislativas
A aprovação se deu por meio do substitutivo da relatora, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), ao Projeto de Lei 1756/25, originário do deputado Delegado Caveira (PL-PA). A relatora manteve o objetivo central da proposta, contudo, optou por transferir as novas regras para a Lei 12.764/12, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
Por outro lado, a mudança implica que as diretrizes de inclusão de autistas no trabalho não alterarão o Estatuto da Pessoa com Deficiência diretamente, mas sim fortalecerão a legislação específica já existente para o TEA. Essa abordagem visa consolidar e centralizar as normas aplicáveis, facilitando sua consulta e aplicação por parte das empresas e dos órgãos fiscalizadores.
Adaptações Necessárias e a Visão da Relatora
A proposta aprovada detalha que as adaptações incluem modificações nas instalações físicas, aprimoramento nos treinamentos de equipe e ajustes nos processos de gestão de pessoal. A deputada Rogéria Santos enfatizou a importância da individualidade nessas adequações, afirmando que elas devem ocorrer conforme a realidade de cada trabalhador com TEA.
Assim, a previsão de adequação dos ambientes de trabalho e dos procedimentos do empregador permite que as modificações sejam realizadas de acordo com a efetiva necessidade da pessoa com transtorno do espectro autista. Isso garante que a inclusão de autistas no trabalho seja efetiva e respeite as particularidades de cada indivíduo, maximizando seu potencial e bem-estar no ambiente profissional.
Panorama Atual das Cotas de Emprego e o Impacto da Medida
Atualmente, a Lei de Cotas (Lei 8.213/91) obriga empresas com 100 ou mais empregados a destinar entre 2% e 5% de seus cargos a pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados da Previdência Social. Este percentual varia conforme o tamanho da empresa, visando promover a diversidade e a inclusão social no mercado de trabalho brasileiro.
Contudo, a nova proposta sobre a inclusão de autistas no trabalho reconhece que as necessidades de pessoas com TEA podem demandar abordagens mais especializadas do que as abrangidas pelas cotas gerais. Ao instituir regras específicas, o objetivo é superar barreiras que poderiam persistir mesmo com a simples aplicação das cotas, garantindo um suporte mais direcionado e eficaz.
Próximos Passos na Tramitação Legislativa
A proposta tramita em caráter conclusivo, o que significa que, se aprovada em todas as comissões, não precisará passar pelo plenário da Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso. A partir de agora, o texto será submetido à análise de outras comissões estratégicas, como a de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Posteriormente, para que a medida se torne lei e consolide a inclusão de autistas no trabalho, o projeto precisará ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal. Essa sequência de análises garante que a proposta seja cuidadosamente revisada sob diferentes perspectivas, assegurando sua constitucionalidade, adequação e efetividade prática.

