Ícone do site Guarulhos Online

Inflação: projeção de 2026 excede meta oficial em 5,1%, diz Fazenda

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A equipe econômica do governo federal elevou a projeção para a inflação de 2026, que agora alcança 5,1%, ultrapassando o limite da meta oficial. O anúncio, feito pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda em novembro de 2023, reflete principalmente os impactos da guerra no Oriente Médio e os possíveis efeitos climáticos do El Niño sobre os preços.

Inflação acelera além da meta

A nova estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 representa uma alta significativa, partindo de 4,5% para o patamar atual de 5,1%. Conforme o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para aquele ano é de 3%, com um teto de tolerância de 4,5%.

Ainda para o cenário inflacionário, a SPE revisou a expectativa para 2027, que passou de 3,5% para 3,6%. Contudo, as projeções do Ministério da Fazenda indicam uma convergência gradual da inflação para a meta central de 3% nos anos subsequentes a 2027.

Fatores de pressão nos preços

Os analistas da equipe econômica apontam o aumento dos preços internacionais do petróleo e seus derivados como um dos principais vetores dessa revisão. Este movimento está diretamente associado à intensificação do conflito no Oriente Médio, que gera incertezas no fornecimento global da commodity.

Além disso, o fenômeno climático El Niño também exerce forte influência sobre as perspectivas de inflação. A Fazenda avalia que seus efeitos podem comprometer safras agrícolas e, consequentemente, elevar os preços dos alimentos nos próximos meses, mantendo a pressão inflacionária.

O boletim macrofiscal da SPE ressaltou que as “pressões altistas no segundo semestre” estão ligadas à maior probabilidade de ocorrência do El Niño e à persistência do choque de oferta e de preços dos fertilizantes. Este cenário acentua a preocupação com os custos de produção no setor agropecuário.

Projeção do PIB permanece estável para 2026

Apesar da piora nas expectativas inflacionárias, o governo federal optou por manter inalterada a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para o ano de 2026. Esta estabilidade demonstra uma avaliação de resiliência econômica diante dos desafios de preços.

Entretanto, para 2027, a SPE ajustou a projeção do PIB para baixo, de 2,6% para 2,5%. Enquanto isso, a expectativa de crescimento médio anual da economia brasileira para o período entre 2027 e 2030 se mantém em 2,6%.

O Ministério da Fazenda detalhou que a atividade econômica deverá encontrar sustentação primordialmente nos setores da indústria e de serviços. Por outro lado, a agropecuária deve desacelerar, após um início de ano com safra recorde, impulsionada em grande parte pela produção de soja.

Implicações para o cenário fiscal

As revisões nas projeções macroeconômicas acontecem em um contexto de elevada incerteza internacional, caracterizado por conflitos geopolíticos e riscos climáticos. A equipe econômica considera que estes fatores podem sustentar a inflação em patamares elevados no curto prazo.

Portanto, o Boletim Macrofiscal da SPE serve como uma bússola para a elaboração do próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Este documento, cuja divulgação está prevista para até o final de novembro, orienta a execução do Orçamento da União.

O relatório pode determinar a necessidade de bloqueios de gastos, visando a adesão ao limite do arcabouço fiscal, ou até mesmo um contingenciamento, caso as receitas do governo fiquem abaixo do esperado. Assim, as novas projeções influenciam diretamente as decisões sobre as despesas públicas.

Sair da versão mobile