A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) emitiu um alerta nacional em setembro de 2023 sobre a insuficiência cardíaca, uma condição que atinge cerca de 1,7 milhão de brasileiros e pode ser confundida com simples falta de condicionamento físico ou envelhecimento. Moradores de Guarulhos e da Grande São Paulo devem estar atentos aos sintomas, como a perda de fôlego ao subir escadas, que podem indicar a doença. A iniciativa visa conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Sintomas podem enganar
A dificuldade para respirar durante o esforço, a fadiga muscular e a retenção de líquidos figuram entre os principais indicadores da insuficiência cardíaca. Contudo, esses sinais frequentemente se assemelham aos efeitos do sedentarismo ou do processo natural de envelhecimento. O cardiologista Marcus Simões, membro da SBC, destaca que o coração geralmente manifesta seus problemas no momento do esforço físico, quando é mais exigido para bombear sangue. Portanto, ao notar esses sintomas, buscar avaliação médica especializada torna-se crucial para um diagnóstico preciso.
Causas e grupos de risco
A insuficiência cardíaca desenvolve-se, na maioria das vezes, a partir de outras doenças do coração ou condições crônicas. Conforme explica Marcus Simões, a doença pode ser uma sequela de um infarto, surgir de problemas em válvulas cardíacas ou ser impulsionada por enfermidades crônico-degenerativas, como diabetes e hipertensão, que progressivamente lesam o músculo cardíaco. Além disso, algumas patologias regionais, como a doença de Chagas, também contribuem para o quadro. Essa condição mostra-se mais prevalente em idosos e mulheres, grupos que demandam atenção redobrada.
O que acontece no corpo
Quando o coração não consegue desempenhar sua função de maneira eficaz, ele falha em receber e bombear o sangue adequadamente para os tecidos do corpo. Essa disfunção impede que os órgãos recebam oxigênio e nutrientes essenciais, gerando os sintomas percebidos pelo paciente. Consequentemente, a insuficiência cardíaca pode ser a primeira manifestação de doenças graves, acarretando múltiplas internações hospitalares. Adicionalmente, ela eleva significativamente o risco de mortalidade, que varia entre 30% e 50% em um período de cinco anos, conforme alerta o especialista.
Diagnóstico e manejo clínico
O diagnóstico da insuficiência cardíaca inicia-se com o exame clínico detalhado, onde o médico avalia o histórico e os sintomas do paciente. Posteriormente, essa avaliação é confirmada por exames complementares acessíveis. Entre eles, destacam-se o raio-x de tórax, o ecocardiograma (ultrassom do coração) e exames de sangue que identificam biomarcadores específicos da doença. Uma vez diagnosticada, a condição pode ser controlada por meio de medicamentos, muitos dos quais são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Importância da adesão ao tratamento
A adesão rigorosa ao tratamento medicamentoso é fundamental para evitar a piora do quadro. De fato, a Sociedade Brasileira de Cardiologia indica que aproximadamente um quarto dos casos de descompensação da insuficiência cardíaca decorrem da interrupção do tratamento prescrito. Além disso, infecções, arritmias, hipertensão não controlada, novos infartos e miocardites também podem agravar a situação do paciente, tornando a internação uma necessidade.
Reabilitação física como aliada
A reabilitação física configura-se como outra medida essencial no controle da insuficiência cardíaca. A atividade física, quando supervisionada e gradual, beneficia tanto o coração quanto a musculatura esquelética. O objetivo principal consiste em aliviar os sintomas, tratar a doença cardíaca de base e, por conseguinte, permitir que o paciente retome sua qualidade de vida por meio de exercícios progressivos.
Novas diretrizes de tratamento
Para aprimorar o manejo da doença no país, a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou uma nova diretriz nacional para o tratamento da insuficiência cardíaca em outubro de 2023. O documento, apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro, consolida as mais recentes evidências científicas. Portanto, ele serve como um guia abrangente para orientar a prática clínica dos médicos brasileiros, buscando padronizar e otimizar as abordagens terapêuticas.

