Ícone do site Guarulhos Online

Interesse feminino em esportes: Skate e Futebol impulsionam adesão no Brasil

© REUTERS/Pilar Olivares/Proibida reprodução

O interesse feminino em esportes no Brasil registrou um crescimento notável de 25% entre 2020 e 2025, superando a média nacional. Este avanço, impulsionado por conquistas olímpicas no judô e a ascensão de modalidades como o skate e o futebol, reflete a crescente visibilidade e inspiração de atletas mulheres. O estudo do Instituto Ibope Repucom destaca como referências femininas e a maior cobertura midiática têm sido fundamentais para este cenário.

O Judô como Pioneiro da Inspiração Olímpica

A trajetória vitoriosa do judô feminino brasileiro nos Jogos Olímpicos consolidou a modalidade como a maior fonte de medalhas para o país. Desde o bronze de Ketleyn Quadros em Pequim (2008), que marcou a primeira medalha feminina no esporte, até os ouros de Sarah Menezes, Rafaela Silva e Beatriz Souza, as atletas abriram caminho para uma nova geração. Larissa Pimenta, medalhista em Tóquio (2021) e Paris (2024), exemplifica essa continuidade.

Para Larissa, o Brasil está desenvolvendo um repertório robusto de referências femininas no esporte. A presença e o sucesso dessas atletas em competições de alto nível são cruciais, pois “o que elas constroem motiva mais mulheres a virem, a quererem lutar e, consequentemente, termos mais mulheres [envolvidas com esporte] no geral”, conforme sua análise. Assim, o legado olímpico do judô fomenta a participação feminina em diversas frentes esportivas.

Skate: Ascensão Meteórica Impulsionada por Rayssa Leal

Entre 2020 e 2025, o skate registrou o maior crescimento de interesse feminino no país, com uma evolução de 49%. Este fenômeno é amplamente atribuído ao impacto de Rayssa Leal, a “Fadinha”, que conquistou prata em Tóquio e bronze em Paris, além de quatro títulos do circuito mundial Supercrown. Suas conquistas deram à modalidade um novo patamar de visibilidade e reconhecimento.

Danilo Amancio, coordenador do Ibope Repucom, ressalta que Rayssa Leal é uma referência aspiracional, mas o skate também se beneficia de um forte componente de estilo de vida. A partir do momento em que se tornou uma modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio, com alto desempenho e medalhas para o Brasil, o skate atraiu um público feminino significativo, unindo performance e identidade cultural.

Futebol Feminino Ganha Novo Fôlego no Cenário Nacional

Apesar de ainda não liderar o interesse feminino, o futebol demonstra um crescimento expressivo, com 64% das mulheres se declarando fãs. Essa modalidade divide a terceira posição no ranking de interesse com natação e vôlei de praia, ficando atrás da ginástica artística (72%) e do vôlei de quadra (69%). Contudo, a curva de crescimento anual de 5% sugere um potencial de ascensão contínua.

Danilo Amancio aponta que fatores como a maior visibilidade de produtos e torneios femininos, especialmente na televisão aberta, contribuem para esse cenário. Além disso, o ambiente digital oferece novas alternativas para um relacionamento mais fácil e direto com novas atletas, aproximando o público das jogadoras e de suas histórias, conforme evidenciado por torneios como o FIFA Series.

Nova Geração e Referências Além dos Ícones

A valorização do futebol de base feminino, como o trabalho desenvolvido pelo Sesi São Paulo, que recebeu o selo de Clube Formador da CBF, revela uma nova safra de talentos e referências. Atletas da equipe sub-15, como a volante Marília, admiram nomes contemporâneos como Angelina, do Orlando Pride, enquanto a goleira Maria Teresa, a Teca, se inspira em Lorena, do Kansas City Current, e em lendas aposentadas como Hope Solo.

Essas escolhas demonstram a diversidade de ídolos e a busca por identificação que transcende as fronteiras geracionais e geográficas. A transmissão do Campeonato Brasileiro Feminino pela TV Brasil e o sucesso da seleção no Fifa Series, que contou com 11 atletas da competição nacional, reforçam a importância de dar espaço e visibilidade a essas novas narrativas e talentos.

Copa do Mundo Feminina de 2027: Catalisador de Interesse

O crescimento do apelo feminino no futebol é um espelho do interesse geral por grandes eventos, como a Copa do Mundo masculina de 2026, que já atinge 71% de interesse, superando os 59% de 2014. No entanto, o ano de 2027 promete um marco histórico, com o Brasil sediando, pela primeira vez, a Copa do Mundo Feminina.

Atualmente, 65% dos brasileiros, tanto homens quanto mulheres, declaram-se fãs do evento, número que Danilo Amancio, do Ibope Repucom, projeta superar os 67% registrados em 2014 para a Copa masculina em casa. A condição de país-sede gerará maior interesse natural e ampla cobertura diária, tornando a Copa 2027 um motor essencial para acelerar o crescimento do interesse, tanto feminino quanto geral, pelo futebol feminino.

Sair da versão mobile