Paolo Zampolli, enviado especial do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs recentemente que a seleção da Itália ocupe a vaga do Irã na próxima Copa do Mundo. Esta sugestão, divulgada em entrevistas a veículos como o Corriere della Sera e o Financial Times e compartilhada em suas redes sociais, visa abordar as tensões geopolíticas entre EUA e Irã. Além disso, a iniciativa busca reaproximar Trump de parte do eleitorado ítalo-americano e da liderança italiana. Portanto, a proposta surge enquanto a Itália enfrenta sua terceira ausência consecutiva no torneio global.
O Contexto da Sugestão e a Posição da FIFA
O ítalo-americano Paolo Zampolli, que nasceu em Milão mas reside nos EUA desde os anos 1990, confirmou a “notícia real” em suas redes sociais, ratificando a proposta feita diretamente ao presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino. De fato, Zampolli justifica a inclusão da Azzurra pelos seus quatro títulos mundiais – conquistados em 1934, 1938, 1982 e 2006 –, classificando a ideia de ver a seleção italiana disputar o Mundial como um “sonho”.
Contudo, a Fifa, procurada para se manifestar sobre o assunto, não emitiu qualquer comunicado oficial, mantendo uma postura otimista quanto à participação iraniana. Dessa forma, a entidade tem se mostrado confiante de que a seleção asiática atuará nos locais definidos no sorteio dos grupos, realizado em dezembro do ano passado, desconsiderando as propostas de mudança ou substituição.
Reações Negativas na Itália
A sugestão do enviado de Trump, todavia, não encontrou eco positivo entre as autoridades esportivas italianas. Por exemplo, Andrea Abodi, ministro do Esporte e da Juventude, considerou a declaração de Zampolli “inoportuna” durante um evento em Roma, enfatizando que a vaga para um torneio tão prestigioso deve ser conquistada com méritos em campo.
Similarmente, Luciano Buonfiglio, presidente do Comitê Olímpico da Itália, afirmou que seria uma “ofensa” à tradição e ao orgulho da Azzurra ingressar na Copa do Mundo por meio de uma intervenção política. Para ele, a seleção italiana, embora tenha falhado na classificação pela terceira edição consecutiva – sendo eliminada nos pênaltis pela Bósnia e Herzegovina na repescagem –, precisa reafirmar seu valor esportivo por desempenho, e não por convite.
Geopolítica e a Situação do Irã
A participação do Irã no Mundial tem sido questionada principalmente devido à tensão entre o país e os Estados Unidos. Em virtude disso, os três jogos da fase de grupos da seleção asiática estão programados para ocorrer em território norte-americano: a estreia contra a Nova Zelândia em Los Angeles, o embate com a Bélgica na mesma cidade e, posteriormente, o confronto com o Egito em Seattle.
Em uma tentativa de contornar a situação, o México chegou a oferecer-se para sediar as partidas do Irã, evitando que a seleção jogasse nos Estados Unidos. No entanto, essa proposta não foi aceita pela Fifa. A ideia de Zampolli, conforme aponta o Corriere della Sera, transcende o âmbito esportivo, buscando também reverter a percepção negativa de Trump junto ao eleitorado ítalo-americano e retomar relações diplomáticas com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que se encontram estremecidas em meio ao cenário de conflito global.

