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Jogador do Vôlei Guarulhos denuncia racismo vindo da arquibancada em jogo no interior

Foto: Reprodução/Instagram

O jogador de vôlei do time de Guarulhos, o argentino Manuel Armoa foi alvo de injúria racial por parte de um torcedor do Sesi Bauru durante a partida realizada no interior de São Paulo. Abalado, o atleta de 23 anos registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na madrugada de domingo. O registro confirma que por diversas vezes, o atleta foi chamado “mono” (“macaco”, em espanhol) por um torcedor nas arquibancadas.

O suspeito ainda não foi identificado. Nas redes sociais, o atleta recebeu apoio de familiares e torcedores. Em nota, o Vôlei Guarulhos se manifestou repudiando o ato de racismo sofrido pelo jogador ponteiro da equipe, ao final da partida contra o Sesi Bauru, na Arena Paulo Skaf, na cidade de Bauru (SP). Abaixo a nota:

Após o encerramento do jogo, um torcedor da equipe adversária dirigiu-se ao atleta proferindo ofensas racistas, com xingamentos e gestos, imitando macaco e gritando “mono chora”, que significa “chora macaco”, se referindo à derrota do time guarulhense para o time do Sesi Bauru. Membros da comissão técnica do Vôlei Guarulhos BateuBet e jogadores tentaram conter o agressor, que se evadiu do local. A placa do veículo utilizado pelo autor do crime foi anotada e, imediatamente, nosso Supervisor Técnico, Daniel Jorge Jr., dirigiu-se à delegacia da cidade para o registro de um boletim de ocorrência.

O presidente do Vôlei Guarulhos BateuBet, Anderson Marsili, já solicitou providências formais ao Sesi Bauru e à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), reforçando que atos de racismo não podem ser naturalizados nem tolerados em hipótese alguma, dentro ou fora das quadras.

O clube está prestando todo o apoio necessário ao atleta Manuel Armoa, que se encontra profundamente abalado, e acompanhará o caso até que o responsável seja devidamente identificado e responsabilizado, conforme prevê a legislação brasileira.

O Vôlei Guarulhos BateuBet reafirma seu compromisso inegociável com o combate ao racismo, à discriminação e a qualquer forma de violência, defendendo um esporte pautado pelo respeito, pela dignidade humana e pela justiça.

Racismo é crime. Não haverá silêncio.

Em nota (íntegra) a Confederação Brasileira de Vôlei afirmou:

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) repudia e não admite qualquer tipo de violência, preconceito ou ato discriminatório. O esporte é ferramenta para propagação de valores como tolerância, respeito e igualdade. A CBV está fazendo um levantamento de todo o material comprobatório da partida entre Sesi Bauru e Vôlei Guarulhos BateuBet, que aconteceu no último sábado (13/12), em Bauru (SP).

Relatório do delegado do jogo, imagens, manifestações de atletas, testemunhas, clubes envolvidos e demais documentos serão encaminhados aos órgãos competentes para que sejam tomadas todas as medidas cabíveis no âmbito esportivo, ético e perante o poder público e demais instâncias. A CBV acompanhará os desdobramentos do caso e não medirá esforços para que o responsável seja identificado e punido.

Em 2024, a CBV alterou os regulamentos das Superliga A e B para tornar mais duras as penalizações em casos de atos discriminatórios, que passou a ser considerado como infração gravíssima, e pode receber sanções que incluem multa, perda de três pontos, suspensão, perda de mando e até eliminação da competição. A CBV tem publicado em seu site o “Procedimento de prevenção e combate à prática de atos discriminatórios nas competições organizadas pela CBV”.

Em todas as partidas da Superliga, o clube mandante deve divulgar, em seu sistema de som, um alerta de que a prática de atos discriminatórios configura crime e que o torcedor que insistir na prática pode ser punido, assim como seu clube.

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