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Lula no G7: Tarifas dos EUA e Veto da UE à Carne Brasileira em Pauta

© Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (13) para Évian-les-Bains, na França, onde participa da Cúpula do G7, um fórum das sete maiores economias industrializadas do planeta, como convidado especial. Sua presença, a décima em três mandatos presidenciais, acende expectativas para a resolução de importantes impasses comerciais, notadamente as novas tarifas dos Estados Unidos sobre importações brasileiras e o recente veto da União Europeia à carne nacional.

O presidente Lula marca sua décima participação neste encontro de alto nível, que reúne membros plenos como Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da União Europeia como membro institucional. Contudo, esta edição ganha destaque devido aos desafios comerciais e geopolíticos que o Brasil enfrenta com parceiros-chave no cenário global.

Tensões Comerciais com os Estados Unidos

A ida de Lula à cúpula intensifica a expectativa por possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento bilateral. Duas semanas antes do evento, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicou a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras, elevando a preocupação no cenário econômico e diplomático.

Este relatório do USTR é o desfecho de uma investigação de um ano iniciada pelo governo Trump, que alega “práticas desleais” do Brasil no comércio internacional. Entre as justificativas para a medida, a instituição acusa o sistema Pix de prejudicar injustamente empresas estadunidenses de pagamento eletrônico, como as operadoras de cartões de crédito MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, contudo, não há confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e Trump. Se tal encontro ocorrer na França, será pouco mais de um mês após a última reunião de ambos na Casa Branca, em Washington, no início de maio, onde orientaram suas equipes a buscar uma proposta para resolver o impasse tarifário e a investigação comercial do USTR, algo ainda não concretizado.

O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), declarou a jornalistas que, apesar de o encontro não estar definido, os contatos com os Estados Unidos seguem intensos. Portanto, as negociações bilaterais estão em andamento e continuam a ocorrer de forma consistente, buscando um caminho para a resolução.

Além disso, este G7 marca o primeiro contato entre os líderes após Washington designar formalmente facções criminosas brasileiras como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). O governo brasileiro vinha tentando evitar essa medida, temendo uma potencial ação militar dos EUA no Brasil ou sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Impasse com a União Europeia sobre Exportações

Outro ponto de pauta crucial para a viagem de Lula ao G7 é a relação com a União Europeia, que, há uma semana, oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto entrará em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro, gerando grande apreensão e perdas potenciais para o setor agropecuário nacional.

A decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para o bloco europeu foi confirmada em documento oficial de 5 de junho. Esta medida veio poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, adicionando complexidade às relações bilaterais e às negociações futuras.

Analogamente ao cenário com os EUA, não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough destacou que a mensagem principal aos europeus é a surpresa com a maneira como a medida foi imposta, indicando uma preocupação brasileira com os recentes desdobramentos.

Ele salientou que o tom das discussões, se ocorrerem no G7 ou em outros momentos, será de “certa preocupação por esses últimos desdobramentos” e a busca por soluções eficazes. Consequentemente, o Brasil busca um diálogo construtivo para resolver as questões pendentes com o bloco europeu e evitar maiores prejuízos comerciais.

Agenda de Encontros Bilaterais e o Papel do Brasil

Enquanto as reuniões bilaterais de Lula com Trump e Von der Leyen permanecem incertas, um encontro já confirmado na agenda é com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Ela fez história como a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, empossada em outubro de 2025, marcando um novo capítulo na política japonesa.

Este será o primeiro encontro oficial entre os dois líderes, e há uma expectativa considerável para a abertura de negociações em torno de um futuro acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Tal pacto poderia expandir significativamente o comércio regional e fortalecer os laços econômicos com a Ásia.

A cúpula do G7 deste ano, sob a presidência da França e programada para 15 a 17 de junho, convidou, além do Brasil, líderes de outros países relevantes como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. A participação brasileira reforça o papel do país como ator global em discussões econômicas e políticas de grande impacto internacional.

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