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Melatonina Aumenta Eficácia de Transplante Ovariano em Estudo da USP

Agência SP

Pesquisadores do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), com apoio da Fapesp, revelaram um avanço significativo na área de preservação da fertilidade. O estudo demonstrou que a aplicação de melatonina, administrada por meio de uma esponja absorvível, eleva a efetividade do transplante de tecido ovariano autólogo, procedimento crucial para jovens pacientes que enfrentaram tratamentos oncológicos. Esta inovação ocorre em São Paulo e visa restaurar a função reprodutiva de maneira mais eficiente.

A Importância do Transplante de Tecido Ovariano

O transplante de tecido ovariano autólogo representa uma esperança vital para crianças e adolescentes que passaram por tratamento contra o câncer, além de pacientes com contraindicação ou sem tempo hábil para estímulo hormonal e coleta de óvulos. Este método consiste na retirada e congelamento de fragmentos do tecido ovariano antes do tratamento oncológico. Posteriormente, após a remissão da doença, o tecido é descongelado e reimplantado na própria paciente, buscando restaurar tanto a fertilidade quanto a função endócrina, frequentemente comprometidas pela quimioterapia e radioterapia.

Ademais, este processo oferece vantagens notáveis em comparação a outras opções de preservação da fertilidade. Ele não apenas evita atrasos no início do tratamento oncológico, mas também pode ser realizado independentemente do ciclo menstrual da paciente ou da necessidade de um parceiro. Consequentemente, para crianças e adolescentes, que muitas vezes não têm outras alternativas viáveis, o transplante ovariano emerge como a única opção eficaz para proteger sua capacidade reprodutiva futura.

Inovação na Aplicação de Melatonina

A coordenadora do projeto, a ginecologista e obstetra Luciana Damous, explicou que a pesquisa é um desdobramento de seu pós-doutorado, realizado sob a supervisão do professor Edmund Baracat. Nesse período, a equipe desenvolveu uma estratégia inovadora para o tratamento do enxerto ovariano. Para isso, utilizaram uma esponja absorvível para a aplicação de células-tronco derivadas do tecido adiposo, tornando a técnica menos invasiva e potencialmente menos lesiva ao delicado tecido ovariano.

A especialista ressaltou que a nova plataforma de aplicação abriu caminho para a avaliação de outras substâncias promissoras. Entre elas, destacam-se os antioxidantes e os agentes regenerativos, que possuem o potencial de acelerar a fase crucial de revascularização do tecido transplantado. Esta etapa é fundamental, uma vez que a perda de folículos ovarianos é comum em enxertos avasculares, ou seja, aqueles que não têm união cirúrgica imediata de vasos sanguíneos, sendo a principal causa de falha.

O Papel da Melatonina no Enxerto Ovariano

A melatonina, amplamente reconhecida por suas propriedades antioxidantes e antiapoptóticas, as quais evitam a morte celular programada, tornou-se um foco de intensa investigação. Seus benefícios potenciais para a melhoria do enxerto ovariano são significativos. Contudo, pouco se sabia sobre sua eficácia quando aplicada por meio da esponja desenvolvida pelos pesquisadores, o que motivou o aprofundamento do estudo.

Para analisar esta forma específica de utilização, os cientistas conduziram um estudo em modelo experimental com ratas. Os animais foram submetidos à retirada dos ovários, os quais passaram por um processo de criopreservação lenta e armazenamento em nitrogênio líquido por 24 horas. Após o descongelamento, a equipe realizou um transplante autólogo e ectópico, na cavidade abdominal sobre o músculo psoas, garantindo um ambiente avascular para simular as condições clínicas humanas.

Damous detalhou o delineamento do estudo, explicando que as ratas foram divididas em dois grupos principais. O primeiro grupo, o controle, recebeu a esponja absorvível embebida em meio de cultura, enquanto o segundo grupo teve a esponja embebida em melatonina. Os animais foram então acompanhados por 30 dias após o transplante, com coletas diárias de esfregaços vaginais para monitorar o retorno funcional dos ovários transplantados, avaliando a restauração hormonal e reprodutiva.

Resultados Promissores da Pesquisa

Ao término do período de acompanhamento, os animais foram reoperados para a coleta dos enxertos ovarianos e subsequentes análises laboratoriais. Os resultados obtidos foram bastante animadores, evidenciando o retorno da função ovariana em todos os espécimes transplantados, demonstrando a viabilidade geral da técnica. Contudo, a grande diferença e o sucesso do estudo foram observados especificamente no grupo que recebeu a aplicação de melatonina.

Nesses animais, houve um aumento significativo da vascularização do tecido, um fator crítico para a sobrevivência e funcionalidade a longo prazo do enxerto. Além disso, a melatonina promoveu uma notável redução da apoptose (morte celular programada) nos corpos lúteos, estruturas temporárias essenciais para a produção hormonal pós-ovulação. A substância não induziu processos inflamatórios ou fibrose, o que é crucial para a integridade e aceitação do tecido transplantado.

Portanto, a combinação desses efeitos – maior vascularização e menor morte celular – contribui diretamente para aprimorar a viabilidade e a longevidade do enxerto ovariano, oferecendo um futuro mais otimista para a preservação da fertilidade. Este estudo, cujo artigo científico ‘Frozen-thawed ovarian autografts treated with scaffold-based melatonin delivery in rats’ está disponível para leitura no periódico *Journal of Ovarian Research*, pavimenta o caminho para novas abordagens clínicas.

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