O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de cautela nesta sexta-feira, 24 de novembro de 2023. O dólar encerrou a sessão praticamente estável frente ao real, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, sofreu uma queda superior a 1,5%, refletindo preocupações com tarifas comerciais e desdobramentos geopolíticos.
A oscilação foi diretamente influenciada pela entrada em vigor de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a diversos parceiros, incluindo o Brasil. Além disso, as atenções estiveram voltadas para o Oriente Médio, onde a expectativa de retomada de negociações entre Washington e Teerã afetou os preços globais do petróleo.
Dólar mantém estabilidade diária
A moeda norte-americana fechou o pregão cotada a R$ 5,081, apresentando uma leve desvalorização de apenas 0,06% no dia. Contudo, na análise semanal, o dólar registrou uma queda de 0,58%, mostrando uma tendência de enfraquecimento em relação ao real no período.
O real, por sua vez, demonstrou novamente um desempenho superior ao de outras moedas de economias emergentes durante a semana. Esse comportamento é impulsionado, em grande parte, pelo Brasil ser um exportador líquido de petróleo e pela atrativa diferença entre as taxas de juros domésticas e as praticadas nos Estados Unidos, que continua a atrair capital financeiro externo. Enquanto isso, o índice DXY, que acompanha o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, encerrou o dia em patamar de estabilidade.
Ibovespa registra queda impulsionada por petroleiras
No cenário de ações, o Ibovespa encerrou a sessão com um recuo de 1,52%, atingindo 174.041 pontos, sua mínima do dia. Apesar dessa desvalorização pontual, o índice conseguiu fechar a semana com um saldo positivo de 0,19%.
A queda do preço do petróleo levou investidores a realizar lucros em ações de petroleiras, o que contribuiu significativamente para a desvalorização do índice. Adicionalmente, ações de mineradoras acompanharam o declínio do minério de ferro, e os grandes bancos também sentiram o impacto da redução do fluxo de capital estrangeiro para os mercados emergentes, culminando em uma pressão generalizada sobre o mercado acionário.
Além do panorama internacional, o mercado também monitorou o impacto das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos ao Brasil. Entretanto, analistas avaliam que boa parte do impacto dessas medidas já estava precificada nas ações, dado que a informação vinha sendo divulgada nas semanas anteriores ao seu início de vigência.
Preço do petróleo cede após aproximação diplomática
Os preços do petróleo bruto reverteram parte dos ganhos recentes nesta sexta-feira, depois de terem superado a marca de US$ 100 por barril no dia anterior pela primeira vez desde maio. A correção ocorreu em meio a notícias de uma articulação diplomática conduzida pela China, com apoio do Paquistão, visando reabrir as negociações entre Estados Unidos e Irã.
O barril do tipo Brent, referência internacional e para a Petrobras, fechou em US$ 96,78, uma queda de 3,88%. O petróleo WTI, negociado no Texas, também recuou 3,12%, sendo cotado a US$ 89,31. Por outro lado, apesar da correção diária, ambos os tipos de petróleo registraram altas expressivas na semana, com o Brent subindo quase 10% e o WTI acumulando um aumento de 8%.
Apesar da recente queda, o mercado global mantém-se atento aos riscos que afetam a oferta de petróleo. Os confrontos entre Estados Unidos e Irã persistem, o Estreito de Ormuz opera com tráfego reduzido e os ataques dos Houthis no Mar Vermelho continuam a representar uma ameaça significativa às principais rotas marítimas de transporte de energia, podendo gerar novas volatilidades nos preços.

