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ter, 09 jun 2026
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Soberania em Minerais Críticos na América Latina Impulsiona Emprego Verde

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Lideranças latino-americanas e especialistas, consultados pela Agência Brasil durante o Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania no Rio de Janeiro (RJ), destacaram o imenso potencial da região em minerais críticos. Eles enfatizam que, ao controlar essas reservas estratégicas, os países podem desenvolver sua própria indústria de transição energética. Dessa forma, é possível impulsionar o emprego qualificado e fortalecer a autonomia econômica no cenário global.

O Potencial Latino-Americano em Minerais Críticos

A América Latina possui vastas reservas de minerais críticos e terras raras, elementos essenciais para as indústrias de tecnologia e de transição energética. Tal controle sobre esses recursos representa um ponto central na acirrada disputa comercial por liderança econômica global, especialmente entre China e Estados Unidos. Consequentemente, a região emerge como um ator geoestratégico fundamental neste novo cenário mundial.

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A Agência Internacional de Energia (AIE) corrobora essa visão, apontando a América Latina como chave para o mercado global de minerais críticos, devido às suas extensas reservas e ao setor de mineração já estabelecido. A região detém aproximadamente 45% do lítio e 30% do cobre globais, além de grafite, níquel, manganês, prata e bauxita. Países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru lideram essas reservas.

Desenvolvimento Industrial e Geração de Emprego Verde

Especialistas argumentam que o desenvolvimento de uma indústria própria na América Latina evita a repetição do histórico papel de mera exportadora de matérias-primas. Ao invés disso, a região pode fortalecer significativamente sua economia e adquirir maior poder de barganha no cenário internacional. Ademais, este avanço tecnológico regional é vital para a criação de empregos verdes e de alta qualidade, reduzindo a dependência tecnológica.

Andrés Camacho, ex-ministro de Minas e Energia da Colômbia, ressaltou que a concentração desses minerais na América Latina oferece uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento regional. Segundo ele, é crucial avançar rumo à produção e aprimoramento. “Precisamos avançar em direção à produção, não apenas para exportar lítio, mas também para aprimorá-lo, e não apenas como mineral, mas como baterias”, enfatizou Camacho, exemplificando o potencial de valor agregado.

Similarmente, Cecilia Nicolini, deputada argentina do Parlasul e ex-secretária de Mudanças Climáticas, defendeu que os países latino-americanos devem ir além da exportação de minerais brutos. Ela afirmou que a política deve contemplar o uso desses recursos para desenvolver tecnologia e garantir participação na cadeia de valor. “Você pode ter uma política de exportação de recursos, mas também podemos usar esses recursos para desenvolver algum tipo de tecnologia ou algum tipo de participação na cadeia de valor para ter um nível mínimo de poder de negociação”, destacou Nicolini, referindo-se ao cenário global.

A Importância de Refinar e Transformar

O lítio, por exemplo, é um insumo principal para baterias de carros elétricos, enquanto o cobre é indispensável para painéis solares e eólicos. A simples exportação desses elementos sem beneficiamento significa perda de valor econômico para a região. Contudo, ao processar e transformar esses minerais em produtos finais, como as baterias, a América Latina pode capturar uma parcela muito maior do valor intrínseco.

O Cenário Geopolítico e Novas Oportunidades

A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, explicou que a atual lógica do comércio global está em xeque, impulsionada por conflitos e pela intensa disputa geopolítica entre China e EUA. Esta conjuntura abre novas oportunidades para a América Latina investir em indústrias regionais conectadas à transição energética. Portanto, a crise atual serve como um catalisador para a internalização da produção de bens e insumos essenciais.

Alvares argumentou que a internalização de bens e insumos essenciais pode não ser viável de forma puramente nacional, mas faz sentido em escala regional. Ela citou o exemplo dos fertilizantes, onde o Brasil tem grande dependência, enquanto Argentina e Bolívia são abundantes em gás natural, principal insumo para fertilizantes nitrogenados. Em um cenário de crise global, a autonomia industrial torna-se uma prioridade estratégica para todos os países.

Os Estados Unidos, por sua vez, dependem fortemente da importação de minerais críticos, como o lítio (mais da metade) e terras raras (mais de dois terços), conforme o Serviço Geológico dos EUA de 2026. Esta dependência gera tensões geopolíticas, à medida que Washington busca garantir esses suprimentos e limitar o acesso de adversários, como Rússia e China. Por outro lado, a China mantém uma posição dominante no mercado global, tanto na mineração quanto no processamento e refino desses materiais estratégicos.

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