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Pesquisa: Tendência de consumo em favelas foge de estereótipo da pobreza extrema

Foto: Amanda Adász/FFW - Reprodução

Uma pesquisa realizada em favelas de todo o país analisou percepções sobre consumo, condições de vida e perspectivas dos moradores. Contrariando o estereótipo de que são espaços de pobreza extrema, onde o próprio desejo pelo consumo enfrenta limitações, as respostas indicam um ambiente comercial pujante. Além disso, mostram-se alinhadas às principais marcas e plataformas utilizadas no restante do país.

O estudo ouviu 16 mil pessoas, com atuação de mil voluntários ligados à Central Única das Favelas (CUFA). Ademais, utilizou metodologia do instituto de pesquisas Data Favela para garantir precisão nos dados coletados.

Como a tendência de consumo se manifesta nas favelas

Entre as principais percepções, 83% dos entrevistados preferem produtos que ao mesmo tempo sejam baratos, mas tenham qualidade. Paralelamente, 85% se sentem realizados quando conseguem juntar recursos para comprar um produto de acesso mais difícil. Por outro lado, 78% se esforçam para adquirir produtos cujo acesso não foi possível quando eram mais jovens. Portanto, isso denota uma percepção do consumo como conquista e do acesso como direito e pertencimento.

Posteriormente, a sensação de frustração também foi investigada pela pesquisa. Dessa forma, 50% dos entrevistados consideraram já ter passado por situação de constrangimento ou humilhação por não ter acesso a um produto. Similarmente, 62% se sentiram excluídos porque não têm condições financeiras de consumir um produto que está na moda.

Outro aspecto destacado pela pesquisa foi a percepção da importância dos cuidados com a aparência: 77% dos entrevistados disse se importar com a aparência. Consequentemente, 57% consideraram produtos cosméticos como itens de primeira necessidade. Finalmente, 37% disseram que ter boa aparência é um elemento positivo para melhores condições profissionais.

Principais anseios dos moradores

A pesquisa também buscou a percepção sobre quais os principais anseios dos moradores. Primeiramente, 19% têm como maior sonho melhores condições de moradia. Em seguida, 18% priorizaram mais acesso a hospitais e postos de saúde.

Outros 18% priorizaram mais segurança, enquanto 14% sonham com mais infraestrutura, como rede de esgoto e iluminação. O item Respeito para os moradores foi prioridade para 9% dos ouvidos. Posteriormente, o item opções de lazer ficou com 7%, mais escolas com 5% e mais opções de transporte, 4%.

Como a favela compra online

O consumo online é realizado por seis em cada 10 moradores das favelas, nas quais vivem no país cerca de 17 milhões de pessoas com mais de 18 anos. Isto é, representam 8% dos lares do país.

As principais plataformas preferidas são Shopee, Mercado Livre e Shein, com 78% de menções como sites preferidos pelos moradores. Especificamente, a primeira plataforma lidera sendo usada por 40% dos entrevistados.

Quanto às intenções de compras em um intervalo de seis meses, 70% dos moradores de favelas pretendem adquirir peças de vestiário, 60% desejam comprar itens de beleza e perfumaria e 51% somente produtos de beleza. Material de construção está entre os desejos próximos de 51% dos entrevistados, mesmo número dos que têm pretensão de adquirir eletrodomésticos. Já 43% pretendem comprar eletrônicos, enquanto 43% sonham consumir cursos diversos e 29% cursos de idiomas.

A pesquisa apurou ainda dificuldades em compras online. Assim, 60% dos entrevistados relataram ocorrência de atrasos na entrega de encomendas. Por sua vez, 20% não receberam encomendas, pois o endereço não foi encontrado. Metade dos entrevistados disse ter recebido mensagens ou e-mails fraudulentos sobre encomendas.

Com informações da Agência Brasil

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