A pandemia do novo coronavírus trouxe mudanças para vida de muita gente, com escolas fechadas e os alunos estudando de casa, o setor de transporte escolar foi um dos mais afetados nesse imbróglio todo. Eles pararam primeiro e serão um dos últimos a retornar.
E se adequar a nova realidade é a regra da rotina dos ‘tios’ das vans escolares. De acordo com André Carvalho, Presidente da Cooperativa do Transporte Escolar de Guarulhos (Cooperfec) não há uma regra jurídica específica que obrigue os pais continuarem a pagar as mensalidades.
“Nós temos um contrato de prestação de serviços, mas, esse momento está difícil para todo mundo. Alguns pais continuam pagando a metade, outros não estão pagando nada. Mas, cada condutor propõe um acordo com seus clientes, mas, muitos pais já romperam contratos”.
A condutora Angélica Formiga revela que precisou recorrer ao auxílio emergencial do governo federal. Mesmo assim, não considera que sua situação financeira esteja tão difícil quanto a de outros colegas de profissão que tem vans financiadas. Ela está fazendo caldo e marmitas para vender.
“Eu fiz transferência de alvará, reformei os bancos da van, estava pagando, quando temos trabalho a gente consegue arcar, agora estou renegociando dívidas para me manter. O que preocupa é que o carro parado também gera custos de manutenção e nós não sabemos quando voltar”.
Os casos são diversos, o cenário atual dos transportadores, segundo relatos obtidos pela reportagem GO são de profissionais abandonando a profissão ou vendendo as linhas. Em outros casos, transportam mercadorias, mesmo sem o carro ser adaptado para tanto.
As monitoras responsáveis pela organização dos alunos nas vans foram afetadas diretamente pela paralisação. De acordo com André Carvalho, que também trabalha como condutor, a maior parte da categoria não tem reserva financeira e está endividada.
Ele defende que a categoria seja atendida pelo poder público, não apenas aqueles que mantém contrato com a prefeitura. Mas, gostaria que os profissionais fossem chamados para realizar serviços ao município durante a pandemia, pois muitos não tiveram acesso aos R$600.

